Hoje me apoderei da expressão característica de um blog que A-D-O-R-O, o Nunca Soube se Prestava. Quem nunca passou por lá não perca essa oportunidade, é um blog realmente bacana (e Presta). Mas o que houve é que não pude pensar em expressão melhor pra definir o raciocínio que vem a seguir.
Eu sei. Eu sei que no resto do Brasil estamos no inverno e tudo mais, muita chuva, pessoas desabrigadas, frio, frio, talvez um pouco de neve em São Joaquim, mas aqui, no Norte do Brasil, é verão, siim!! Nesta época aqui no meu estado (TO), as pessoas costumam migrar para as praias – de água doce, é claro – e um fator que facilita bastante tudo isso é que as férias escolares acontecem no mês de julho. Eu não sei dizer a respeito do restante do país, mas tenho conhecimento que em algumas regiões nesta época existe apenas um recesso, e não férias totais como aqui.
Pois bem, mas vamos ao assunto. Quando eu era criança, poderia muito bem ser carinhosamente apelidada de “pata” porque era daquelas meninas que nos acampamentos beira rio era a primeira a entrar n’água e uma das últimas a sair. Pouco importava se às 7:30 ou 8:00 da manhã a água estivesse “congelante”, valia mesmo era poder ficar ali de molho o maior tempo possível. Nesse período ainda não éramos escravas da beleza e não havia aquela aflição para se ter cabelos lisos, brilhosos e esvoaçantes sempre. A situação era precária, ainda mais para pessoas que, como eu foram abençoadas com os cabelos difíceis - para não dizer crespos!
Este final de semana dei um pulinho na praia, coisa que já não fazia há algum tempo – anos, pra ser mais exata. E com a chegada da maturidade, a idéia de ficar o dia todo no dentro da água fazendo curso pra camarão não parece mais uma idéia tão agradável como antes, né? E como eu disse, já fazia algum tempo, então fui na onda das Primas mais atualizadas. Depois de quase morrer de remorso ao gastar mais de R$70,00 numa saída de banho lá fui eu para a simpática praia do Rio Sono. Chegando lá, eis que vem a preocupação: E o meu cabelo??
Neste momento, acho que visualizei uma das novas aflições da mulher brasileira, sim, aquela brasileira que não tem o corpo das propagandas de cerveja, nem os cabelos da propaganda de shampoo: A dúvida começa a tomar de conta, de repente você se percebe pensando no trabalho que deu pra passar a chapinha e no quanto foi caro o seu biquíni, sua saída de banho e toda a viagem para estar ali. Então vem a dúvida cruel: entrar ou não entrar no rio. Estrear o biquíni novo que só Deus sabe quando você usará novamente e mandar os cabelos lisos e esvoaçantes literalmente por água abaixo ou abrir mão de toda a “coisa” da praia pra simplesmente manter a “pose” ou o “charme” e sair bem nas fotos que irão pro Orkut?
Para os que preferem o meio termo, você pode como eu fiz, tomar banho sem mergulhar -cabelos devidamente presos - e assim também acabar com todo o barato que estar numa praia te proporciona! =D Não é uma coisa ingrata? Caramba, manter pelo menos os cabelos legais não é barato e exige sacrifícios não apenas financeiros. Então fiquei pensando até que ponto ainda chegaremos pra ficar bem na foto. Será que podemos culpar a mídia por mostrar nas propagandas mulheres com cabelos que todas pediram a Deus ou a Sta. ou Sra. Erica Feldman que de acordo com a Wikipédia no século XIX já pensava em amansar as madeixas com coisas quentes? Ou será mesmo que devemos é largar de ser trouxas e ficar contentes com o que temos e com quem somos??? O que sei é que este problema começou com uma chapinha... A questão é: onde iremos parar assim?





