26 julho 2010

Nunca soube se chapinha prestava...

Hoje me apoderei da expressão característica de um blog que A-D-O-R-O, o Nunca Soube se Prestava. Quem nunca passou por lá não perca essa oportunidade, é um blog realmente bacana (e Presta). Mas o que houve é que não pude pensar em expressão melhor pra definir o raciocínio que vem a seguir.

Eu sei. Eu sei que no resto do Brasil estamos no inverno e tudo mais, muita chuva, pessoas desabrigadas, frio, frio, talvez um pouco de neve em São Joaquim, mas aqui, no Norte do Brasil, é verão, siim!! Nesta época aqui no meu estado (TO), as pessoas costumam migrar para as praias – de água doce, é claro – e um fator que facilita bastante tudo isso é que as férias escolares acontecem no mês de julho. Eu não sei dizer a respeito do restante do país, mas tenho conhecimento que em algumas regiões nesta época existe apenas um recesso, e não férias totais como aqui.

Pois bem, mas vamos ao assunto. Quando eu era criança, poderia muito bem ser carinhosamente apelidada de “pata” porque era daquelas meninas que nos acampamentos beira rio era a primeira a entrar n’água e uma das últimas a sair. Pouco importava se às 7:30 ou 8:00 da manhã a água estivesse “congelante”, valia mesmo era poder ficar ali de molho o maior tempo possível. Nesse período ainda não éramos escravas da beleza e não havia aquela aflição para se ter cabelos lisos, brilhosos e esvoaçantes sempre. A situação era precária, ainda mais para pessoas que, como eu foram abençoadas com os cabelos difíceis - para não dizer crespos!

Este final de semana dei um pulinho na praia, coisa que já não fazia há algum tempo – anos, pra ser mais exata. E com a chegada da maturidade, a idéia de ficar o dia todo no dentro da água fazendo curso pra camarão não parece mais uma idéia tão agradável como antes, né? E como eu disse, já fazia algum tempo, então fui na onda das Primas mais atualizadas. Depois de quase morrer de remorso ao gastar mais de R$70,00 numa saída de banho lá fui eu para a simpática praia do Rio Sono. Chegando lá, eis que vem a preocupação: E o meu cabelo??

Neste momento, acho que visualizei uma das novas aflições da mulher brasileira, sim, aquela brasileira que não tem o corpo das propagandas de cerveja, nem os cabelos da propaganda de shampoo: A dúvida começa a tomar de conta, de repente você se percebe pensando no trabalho que deu pra passar a chapinha e no quanto foi caro o seu biquíni, sua saída de banho e toda a viagem para estar ali. Então vem a dúvida cruel: entrar ou não entrar no rio. Estrear o biquíni novo que só Deus sabe quando você usará novamente e mandar os cabelos lisos e esvoaçantes literalmente por água abaixo ou abrir mão de toda a “coisa” da praia pra simplesmente manter a “pose” ou o “charme” e sair bem nas fotos que irão pro Orkut?

Para os que preferem o meio termo, você pode como eu fiz, tomar banho sem mergulhar -cabelos devidamente presos - e assim também acabar com todo o barato que estar numa praia te proporciona! =D Não é uma coisa ingrata? Caramba, manter pelo menos os cabelos legais não é barato e exige sacrifícios não apenas financeiros. Então fiquei pensando até que ponto ainda chegaremos pra ficar bem na foto. Será que podemos culpar a mídia por mostrar nas propagandas mulheres com cabelos que todas pediram a Deus ou a Sta. ou Sra. Erica Feldman que de acordo com a Wikipédia no século XIX já pensava em amansar as madeixas com coisas quentes? Ou será mesmo que devemos é largar de ser trouxas e ficar contentes com o que temos e com quem somos??? O que sei é que este problema começou com uma chapinha... A questão é: onde iremos parar assim?

25 julho 2010

Dictum et Factum

(Dito e Feito). Não costumo usar muito essa expressão, mas ela sempre anda comigo e sempre aparece em momentos oportunos. E hoje cai como uma luva. Eis que chegou o momento das constatações. Sabe quando você "tem certeza" sobre algo e só precisa da confirmação? Refiro-me a situações como ao andar sobre um meio fio e sua mãe dizer: "Desce senão você cairá" e ao desobedecer você cai? Digo, não a respeito do que mãe diz geralmente se cumprir, mas sobre aquelas coisas que por mais que sejamos avisados, só damos como certos após termos provado.

É interessante como em determinado momento de nossas vidas isso passa a fazer mais sentido do que nunca. Não adianta apenas saber, ter consciência do funcionamento de uma coisa ou outra, não há nada como o experimentar a situação! Quem nunca ficou magoado com uma situação ou com alguém e ficou com a sensação de que aquela dor, frustração, ou seja, qual for sentimento ruim nunca fosse passar? É claro que no fundo você sabe/sabia que é tudo uma questão de tempo. Maas, ainda assim esse pensamento racional não bloqueia as sensações depressivas que lhe tomam conta - até isso de fato acontecer.

E o que falar das más companhias? Todos te avisavam, e você até conhece o risco daquilo acontecer, mas só acredita quando mesmo quando essas companhias ferram você. E por aí vai, são centenas de exemplos, términos de relacionamentos, dores musculares (sabe quando você exagera nos exercícios e no dia seguinte não consegue nem andar direito??) e até mesmo sexo, todos dizem que é bom, mas você só vai acreditar quando passar a praticá-lo.

Que é dito e feito quando as suspeitas se realizam não é novidade, mas a grande questão é: por que temos essa mania de São Tomé (tipo "só acredito vendo")? Por que algumas coisas só tem sentido depois de vividas? Por que prática é melhor que teoria?



09 julho 2010

Estou cansada

Cansada de tudo isso.
Cansada do meu trabalho que me faz envelhecer antes do tempo.
Cansada de bancar a adulta que não sou, dando conselhos pras pessoas como se eu tivesse 100 anos e soubesse tudo da vida.
Cansada da maneira como conduzi minha vida até aqui, sempre apoiada no que disseram que seria bom pra mim.
Sei que hoje tudo soa como mau agradecimento, afinal quantas pessoas aos 21 tiveram a sorte de ser bem sucedido no trabalho e nos estudos como eu, e com as expectativas melhores possíveis para o futuro?
Detesto as pessoas vir me dizer: “você será brilhante no futuro”, ou “você é muito inteligente, sensacional, vai longe...” quando nem eu tenho certeza disso, ou melhor, nem sei se acredito nisso.
O que sei é que muitas ações que tomo parecem lindas aos olhos dos outros, deixa todos eles felizes, mas geralmente não são atitudes que eu gostaria de tomar.
E eu tomo essas atitudes feito um robô, sem vida própria, apenas mecanicamente.
Cansada de ter noção de tudo, das ações e das conseqüências.
 De diversas vezes me privar de experimentar as coisas por já saber de antemão que aquilo não vai dar em nada.
Cansada de da infância já ter pulado pra fase adulta.
Cansada de algumas pessoas acreditarem que isso é bom.
Cansada dessas amarras que eu mesma criei.
Cansada de ter “liberdade” e não saber aproveitá-la.
De parecer um animal selvagem que depois de muitos anos trancafiado numa jaula fica sem ação ao ver porta aberta e o caminho livre pra seguir seu rumo.
Cansada de a minha felicidade gerar descontentamento e meu descontentamento gerar felicidade alheia.
Cansada de me sentir presa a tudo isso.
Cansada da faculdade que me suga e faz com que eu não tenha outra vida.
Cansada das tempestades em copo d’água que sempre faço.
Cansada da minha falta de controle, de não saber lidar com as coisas.
E cansada de ser tão paradoxal.
Cansada de mais uma gama de coisas que não consigo transformar em palavras.
Cansada de saber que não há muita solução pro meu caso.
Cansada de tentar imaginar onde tudo isso vai dar.
Cansada, cansada e cansada.
E pra completar, extremamente triste por estar assim.

25 junho 2010

Reflexão



Interessante como uma reflexão às vezes leva a outra. No post anterior usei um trecho da música Tempos Modernos, do Lulu Santos para ilustrar essa sensação da passagem (tão rápida) do tempo. E ao analisar todas as estrofes me dei conta de algo triste: o início do fim da minha fé nas pessoas.
Quando era mais nova vivia num mundo utópico, e de fato acreditava numa " vida melhor no futuro, mais clara, farta e repleta de toda satisfação". Acreditava que tudo estava mesmo em minhas mãos, e nas dos outros tantos jovens sonhadores como eu. Acreditava que estava imune a essa coisa que rodeia os adultos e os torna chatos e descrentes quanto ao lado bom da vida.
Porém hoje eu já não "vejo um novo começo de era, de gente fina, elegante e sincera", pelo contrário. Eu vejo preconceito, inveja, ganância e muita falsidade. Infelizmente o ser humano ao invés de evoluir parece estar trilhando o caminho contrário. Embora muitos digam que é o avanço tecnológico, o avanço intelectual, vejo apenas o avanço do egoísmo das pessoas e a sede desenfreada por dinheiro.
Sim! “Hoje o tempo voa, escorre pelas mãos e não há tempo que volte” e devemos mesmo “viver tudo que há pra viver”, mas mesmo sem querer, nos tornamos parte desse mundo indesejável e num belo dia como hoje nos damos conta de onde fomos parar. Num instante tornamo-nos tudo aquilo que abominávamos.  Não estamos satisfeitos com a grande parte dos acontecimentos da vida assim como víamos nossos pais anos atrás. Olhamos à volta e concluímos que no geral as coisas não vão nada bem: tragédias, crimes, maldade, baixeza de espírito e por aí vai.
Vem então a sensação de sufoco, de impotência... De que não há mais saída... Mas sabe de uma coisa?? É como diz minha mãe: “Minha filha, só não há jeito para a morte!”,  e ela está certa; e é por esse motivo que vou continuar crendo nisso, por mais que as responsabilidades que o mundo adulto traz consigo torne transparente o definhamento humano,eu, nem você devemos desistir nunca do lado bom que existe dentro de cada um.
Eu ainda quero "crer no amor numa boa e que isso valha pra qualquer pessoa", mas apesar da banalização do Amor, onde as pessoas já entram nos casamentos com o pensamento de que depois da primeira briga o próximo passo é o divórcio, e a história de "o resto de nossas vidas juntos" ser colocado quase como um conto de fadas, eu não quero desistir das pessoas nem da vida. E acho que ninguém deve entregar os pontos também....

E hoje, encerro com outra música, igualmente linda e serve como boa reflexão!





21 junho 2010

Dictum et Factum Ano 1

"Hoje o tempo voa  amor
                Escorre pelas mãos
                              Mesmo sem se sentir
                                            E não há tempo que volte amor
                                                             Vamos viver tudo que há pra viver
                                                                                               Vamos nos permitir"
 
E um ano passou (rápido)!!
É engraçado como sempre dizemos isso (que o tempo passou rápido) e passamos boa parte do tempo nos queixando de como tudo anda devagar, como aquilo que queríamos 'para ontem' não possui previsão de chegar nem amanhã...
 
A idéia deste blog é um pouco mais antiga, lá dos meus treze ou quatorze anos de idade. E a princípio nem queria um Blog, estava a fim mesmo era de criar um site, mas o tempo foi passando, o desânimo batendo e eu continuava sem nada. Então certo dia resolvi me utilizar dos recursos já existentes na Net e ser feliz.
 
E como funcionou! Conheci pessoas bastante legais, aprendi um bocado... Não sei se fui capaz de 'tocar' ou afetar de alguma forma as pessoas que passam/passaram por aqui nesse período, mas certamente Me modificou,rs, não apenas na rotina, mas como indivíduo!
 
Adoro estar aqui, embora não posso tanto quanto desejaria ultimamente... Mas por hora só posso me alegrar com essa data tão bacana e agradecer a cada um de vocês que perderam um pouquinho do seu tempo lendo e  comentando as 'coisas' que daqui surgiram!  
Obrigada!
 
--> E aqui, a primeira postagem do Dictum et Factum: Plágio???


16 junho 2010


02 junho 2010

Sobre a síndrome de "achar-que-tem-que-fazer-tudo-sozinha"


Por favor, digam-me que não sou a única que sofre desse mal. Alguns podem chamar de tempestade em copo d’ água, mas você já passou por momentos em que exagerou uma situação e buscou soluções mirabolantes sofrendo sozinho pelas madrugadas pensando na melhor maneira de resolver o tal problema??

Eu sou dessas...! Bem, já fui bem mais, hoje controlo mais isso, só que ainda se formam situações assim em que perco o controle e começo a acreditar que tudo depende mesmo de mim e que não há outra maneira de obter êxito a não ser quase pirando e com soluções nada cabíveis...

Claro que já foi provado que em situações assim a praticidade sempre vence, mas no tal momento aquilo parece uma solução tão torturante que buscamos a todo custo outro caminho. Por experiência própria já percebi que isso nunca funciona e que ficar dando voltas em torno do problema não ajuda e só nos faz sofrer desnecessariamente.


Então se já sabemos disso, por que sempre caímos nessa de acreditar que não podemos contar com a ajuda de ninguém e que aquele problema é insolúvel? Ou melhor, por que tornamos isso um Problema?

17 maio 2010

Adoro cavalheirismo!



Hoje voltando da faculdade estava eu na preferencial - vindo pela avenida - e um carro simplesmente parou me dando passagem. Sei que alguns podem até estranhar isso, mas aqui onde vivo educação no trânsito decididamente não é o forte da maioria das pessoas. E o fato de o carro ter parado no local certo, sem ter invadido toda a rua e eu não precisar desviar foi lindo!

O sentimento que me veio na hora, claro, foi muito gostoso e me lembrou de outras situações. Quem nunca entrou num estabelecimento 'p' da vida e do outro lado havia uma pessoa sorridente, educada e que só com aquele gesto transformou o seu dia? E quando aconteceu o contrário, de se chegar num lugar e for vítima do mau humor alheio, não é desagradável?
 
De acordo com o Observatório da Imprensa, a definição de cavalheirismo em vários dicionários é:  ato nobre, gentil, delicado, distinto; em outras palavras, Boa Educação. Agora... Como este artigo está em falta no mercado, hein! Acredito que se isso fosse um produto e eu a fabricante, estava podre de rica, porque todos gostam de ser bem tratados.

E isso não é vaidade. Não é algo que se aplica apenas - como muitas pessoas pensam - no sentido Homem --> Mulher. O que acontece é que nós nos esquecemos de olhar para o lado. Se antes o ditado dizia que o gramado do vizinho era mais verde, hoje, isso já não nos preocupa, pois só existem olhos para o próprio umbigo. Cada um está preocupado com a carreira que tem que seguir; o dinheiro que deve ganhar; o destino onde tem que chegar. E essa do destino é o que acontece na minha cidade, cada um está preocupado consigo e esquecem-se das regras que fazem a tal da Sociedade funcionar.

E o trânsito, tanto aqui como em qualquer outro lugar, é apenas mais um reflexo da falta de educação e egoísmo que tomou conta das pessoas. Ninguém mais se preocupa em desejar bom dia, em esperar a sua vez na fila, em ceder lugar a idosos, gestantes, ou simplesmente respeitar uma vaga no estacionamento para deficientes físicos... 

É triste essa constatação, e a solução para tal não é difícil, concordam? Isso me lembra as várias propagandas idealizadas pela Fundação Para Uma Vida Melhor, sabe aquele negócio do "passe adiante"? Eu acredito que a única maneira de recebermos educação, é antes de tudo sendo educados com os que estão à nossa volta, e não sermos grosseiros quando não nos tratarem como queremos. Com atitudes simples assim, tenho certeza de que podemos ser mais felizes, e que situações como a do carro esta noite, não nos causem espanto no bom sentido, mas que sim façam parte do cotidiano. Agora, e você do outro lado, como anda sua paciência e educação? E o cavalheirismo, vai mesmo entrar em extinção?