Feijões, Baratas, Voar ou Criar Raízes

Semana passada participei de um encontro sobre Inovação na Academia. Um dos palestrantes, nos momentos finais de sua apresentação, compartilhou conosco um pouco de sua trajetória pessoal. Contou-nos que na época que estudava os tempos eram de vacas magras e que certa feita, havia em casa para comer, apenas uma panelada de feijão. Ao levar uma colherada à boca, percebeu algo diferente. Ao cuspir fora a refeição percebeu que uma barata havia sido cozida junto a sua refeição. Disse que naquele momento (desagradável) concluiu que haviam duas opções: 1ª - ficar com nojo, fazer vômito, colocar pra fora e interromper a refeição; 2ª - continuar a comer como se nada houvesse acontecido porque aquele feijão era a única coisa disponível para o dia e se não fosse assim, teria que suportar as dores da fome em um dia que estava longe de terminar.

Lógico que este relato me fez pensar. Fez todos os presentes naquela sala pensar. Há uma dualidade em tudo o que fazemos. Todas as situações que nos acontecem, sempre apresentará ao menos dois lados da situação, óticas diferentes. Já diz o ditado, "aos limões, limonadas", porém é tão difícil ser objetivo assim, né não? Claro que tudo depende do valor que cada um dá às coisas. Pra esse moço era mais importante não ficar com fome. Para outra pessoa talvez fosse mais interessante a não ingestão de baratas durante a refeição. 

Prioridades.

Mas tudo bem. Todos temos prioridades. Elas nascem das nossas vivências, experiências, contextos sociais, culturais. Contudo, minha grande insegurança hoje é quanto a como filtrar essas tais prioridades.

Atualmente eu me vejo diante de uma feijoada, porém, por mais bem preparada que ela esteja, é como se eu encontrasse baratas o tempo todo. Eu sei que estou comendo feijoada e não baratas. Eu sei que se eu estivesse de fato comendo baratas, no dia em que eu tivesse a oportunidade de experimentar essa tal feijoada, eu a apreciaria como poucos. Ela teria um sabor "mais especial". Justamente por conta da velha dieta regrada baratas à qual eu estava anteriormente submetida. 

Então, voltando às prioridades, no momento me sinto sugada por uma correnteza, incapaz de definir uma estratégia para sair dessa situação. Devo eu assumir que de fato hoje me servem feijões? Partindo desse princípio devo ser grata, louvar o fato dessa refeição. Devo olhar com orgulho aquilo que conquistei. Meus feijões são desejos de outros. Não que a ideia seja despertar inveja ou coisa assim, mas deve significar que estou fazendo a coisa certa, não?

Se por outro lado, eu assumir que hoje minha dieta é regada a baratas, instaura-se aí uma sensação de insatisfação. Um desejo de mudança; afinal ninguém quer passar a vida comendo baratas. Nesse contexto busca-se mais, engolimos seco na firme esperança de que isso é para um bem maior: feijões.

As vezes os feijões me remetem a criar raízes. Será que é hora de aquietar-me? Olhar em volta e contemplar o que foi feito até aqui? Digo isso não necessariamente num contexto conformismo do tipo "é isso aqui e pronto". É mais sobre uma perspectiva de desacelerar. De me desprender de tudo aquilo que outrem esperam que sejamos, obtenhamos. Porque vamos combinar, somos muito mais do que isso. Somos muito mais do que o salário que cai em nossa conta a cada mês, ou dos bens que vamos acumulando ao longo da vida. Uma vez, viajando a trabalho, encostada na janela do carro olhando a paisagem externa movimentar-se por horas a fio, vi uma pessoa sentada sobre uma pedra, à beira da estrada brincando com um punhado de capim na mão. Eu a invejei tanto por isso!

Não me recordo da última vez que eu me sentei em qualquer lugar (seja pedra, chão, areia ou coisa do tipo) para pura e simplesmente não fazer nada (a não ser talvez, brincar com um pedaço de capim). Entende? As vezes sinto que só preciso de um tempo assim, de contemplação. E talvez não haja carreira bem sucedida que traga esse tipo de paz de espírito. Por isso retomo a pergunta: como sabemos que é hora de hastear bandeira branca, criar raízes e curtir os feijões conquistados?

Porque vez ou outra somos assolados por esse desejo de ter e ser mais. Voar. Sair da zona de conforto, ver o que mais podemos experimentar por aí. Talvez na perspectiva de descobrir que a Vida vai além de feijões e baratas....

O que a gente faz com esses sentimentos contraditórios? 

Sou assolada constantemente por essa coisa de "me cansei de depositar todas minhas expectativas naquilo que ainda vai acontecer. 'um dia terei minha casa', 'um dia vou decorar a sala do jeito que sempre sonhei', 'um dia vou fazer aquela viagem', 'um dia...'". Por outro lado, vez ou outra também chega de mansinho a outra voz. E ela diz coisas como 'você não precisa ter essa tal casa; olha que legal isso que você construiu. você não consegue ser feliz assim?', 'quem disse que você precisa se encaixar nesse modelinho que os outros dizem que é bom para você? quer sentar numa pedra e ficar brincando com um galho seco? sente numa pedra e brinque com esse galho seco!', 'viva', 'não se preocupe tanto'.

E fico pairando nesse meio termo. Ouvindo que preciso voar, preciso criar raízes, que tenho que almejar feijões pois alimento-me de baratas ou tenho que agradecer meus feijões pois poderiam ser baratas.

É sério. Eu queria tanto ser uma pessoa prática e objetiva nessa vida. 

Um amigo me falou: "você sabe o que tem que fazer. mas ainda assim não faz"

Outro amigo me falou: "nós vamos chegar lá, é preciso paciência, faz parte do processo. estamos no caminho certo"

Os dois estão certos respeitado suas respectivas óticas. 

Mas e eu? Onde eu fico no meio disso tudo?

Passamos a vida inteira buscando independência. Clamando pelo direito de tomar nossas próprias decisões... E aí um belo dia você chega nesse "patamar" e tudo o que deseja é alguém pudesse tomar essas decisões por você.

Depois de tanto devaneio, a única coisa que concluo é: devo fazer a tarefa de casa que a psicóloga me passou: preencher o formulário que ela me enviou com o Ciclo da Preocupação e ver se isso me leva ao menos a lidar melhor com essas inquietações.


06/10/2016
read more

Pronto, Falei! #birraDeMineiros

Sim.

Estou criando uma birra SEM PRECEDENTES desse povo vindo das Minas Gerais. Além dos comentários constantes de como Minas é o melhor lugar do mundo e etc, mais do que isso, tem me incomodado pacas essa mania feia de maldizer meu estado.

Explico: desde que entrei para um emprego federal, tive contato com  muitos novos colegas vindos de diversos cantos do país; mas desses "diversos cantos", uma porcentagem significativa vem desse estado...

O problema é o seguinte, estes cidadãos vem para as minhas terras para reclamar de como aqui é quente, como as pessoas daqui são feias, tem uma péssima educação, falam de um jeito errado ou ainda que nossas cidades são péssimas, o povo é muito ignorante, etc etc etc.

Eu sou nascida e criada em Tocantins. Sim, aqui é muito quente, e mesmo tendo nascido aqui, sei que nunca irei me acostumar com tanto calor. Sim, nossa educação é inferior; infelizmente muitas pessoas não tem acesso a educação de qualidade (diga-se ensino particular, visto que o público ainda deixa muito a desejar), mas na boa? Essas generalizações tem me ofendido. E muito. 

Durante minha infância e adolescência, eu tive meus picos de rebeldia, e eu mesma maldizia o lugar  de onde vim, perguntava a Deus "Com tantos lugares no mundo, por que aqui???". Sim. Mas da mesma forma que as pessoas que nascem em vários lugares "dos sonhos", eu aprendi a gostar e a valorizar o lugar de onde vim e tentei buscar olhar além, olhar nossos pontos positivos, nossa cultura que na realidade é uma mistura de todas as outras (já que o Tocantins é o mais novo estado do país e muitos forasteiros vieram para cá tentar a sorte - e devo dizer que muitos devem suas riquezas e qualidade de vida a estes pedaços de chão) e hoje eu tenho muito orgulho de dizer que sou daqui. E ao invés de reclamar e maldizer as mazelas que encontro por aqui, busco observar à minha volta e me perguntar o que posso fazer para melhorar essa situação

Então estou com raiva sim. Raiva porque ninguém é obrigado a vir para cá. Esses indivíduos, em sua maioria se inscreveram para concurso nessa região porque não conseguem passar na sua amada Minas Gerais e aqui, lugar onde a concorrência ainda é menor, é o lugar que lhe abre as portas e lhes recebe.

Mas depois de tantos exemplos desses, minha vontade é de sugerir que estas pessoas peçam gentilmente sua exoneração e voltem para os buracos que lhes pertence. Ninguém lhes obrigou a vir para cá. Até onde se sabe, todos tem direito de escolha; de ir e vir. 

Mas se for para vir, que seja para somar e não para colocar os pés aqui e já atormentar a vida de todos em busca de uma redistribuição e lamentar-se diariamente aos nossos ouvidos o quanto aqui é ruim.

Me poupem. 
Ninguém os chamou aqui.
Porta da rua é serventia da casa.

Ps.: A birra se estende a qualquer outra região do país que andam pisando por estas terras para nos maldizer.
read more

Penseira




Ouvir Shelter da Birdy no dia do seu aniversário com uma vontade básica de chorar realmente faz repensar se foi uma boa ideia suspender o uso do fluoxetina por conta própria. Rs

Melancolias a parte... 2.6. Não me lembro exatamente agora quantos anos eu tinha quando coloquei o Dictum et Factum na rede; imagino que tenha sido aos 19. Anyway. Passou voando. O tempo tem voado desde... quando?

O que posso dizer? Bem, altos, baixos, alegrias, tristezas, surpresas e decepções. Quem nunca? Se houvesse uma palavra para definir o momento talvez fosse "Iminências". Acho que nunca tive tantas urgências como nos últimos tempos. Urgências quanto ao trabalho, à família, aos vícios. E ao mesmo tempo um desligamento de outras coisas tão importantes e que de repente perderam algumas posições no meu ranking de importância ou iminências.

26. Fala sério. Eu devia estar em outro lugar nesse momento. Saindo com alguns amigos, ou compartilhando um bolinho com a família... mas tá. Computador para que te quero. E um livro do Boaventura Sousa Santos no colo e uma vontade louca de jogá-lo para minha cadela e enviar um "Que se Dane" do tamanho do mundo para a prova de Mestrado que eu farei próximo domingo e que já sei que não irei passar. Rs

Neste vigésimo sexto dia do meu nome (como Martin nomeia nas suas crônicas de Gelo e Fogo) recebi felicitações de pessoas queridas logo após a meia noite (argumentar que eu ainda não havia nascido naquele horário nunca convence meus amigos teimosos); Ao acordar, mensagens de pessoas queridas e de pessoas inesperadas (é boa essa sensação de se sentir querido, não é?) Eu apenas não queria me doer por não me "sentir querida" por aqueles que julgamos ser mais levados em conta. Mas enfim. Não sei mesmo por que tamanha afetação. Afinal é apenas um outro dia. Graças a Deus.

Dá um nózinho na garganta quando aqui, me sentindo pra baixo e mal amada, me recordo daqueles que já se foram. Que não terão a oportunidade de completar mais um ano de vida. É quase um sentimento de miséria: "por que eu continuo aqui? não sei se mereço". Mas tá. Vou voltar para meu fichamento que essa conversa aqui não vai dar futuro.

Enfim. É engraçado como nos momentos que eu fico meio "assim" eu corro de volta para meu blog, meu diário, minha "penseira". Só preciso ser prática. Espero daqui algumas horas, dias ou meses poder reler isso e pensar: " Que besteira! A vida é tão "mais que isso"".  Vamos com fé. Vai que um hora cola x)
read more

Conceição


Sabe aquelas surpresas agradáveis? Surpresa com caras de benção...  Estou há cinco dias em Santiago do Chile... Eu tenho planejado, sonhado, idealizado esta viagem há pelo menos 6 anos.
Esta semana pousei aqui para uma aventura de 25 dias. Destes 25, 15 percorrerei "sozinha". Entre aspas porque nunca estou só. Tudo o que vou fazer (em especial essas aventuras incomuns) eu sempre peço a bênção e a permissão de meus pais e do Pai maior.E apesar de todos os contratempos até surgiram nos últimos dois meses em todos os sentidos as portas se abriram! Que alegria!

Esta semana pousei aqui sem mal saber como se diz "Olá" em espanhol, fui passada a perna no aeroporto (o taxi mais caro já pago em minha vida), rs. Andei bastante, ganhei alguns calos nos pés, cheguei perto de uma "ensolação" nos Andes, e já tinha dito nesta manhã à minha família pelo Skype: "25 dias serão demais!" Eu dizia isso porque se manter tantos dias fora de seu país e com uma outra moeda pode sair caro para uma persona como eu. Dizia isso também não apenas por questões financeiras, mas porque Santiago é uma grande capital; aqui se vê muitas pessoas prédios, museus, feiras, muitas galerias, muitas praças (belíssimas por sinal), muitas construções antigas e charmosas... Mas é isso... Por onde você vai, não há muita diferença...

Minha viagem coincidiu com o verão chileno, o que não foi ruim, porque meu guarda roupa de frio não é dos melhores. Pela manhã aqui é fresco e durante a tarde o sol se abre e dá pra pegar um bronze... Eu não gosto de tomar sol, rs. Então até por isso não andava muito animada para desfilar por aí fazendo curso pra carne seca, rs. Hoje, entretanto, amanheceu fazendo 13 graus e o senhor Sol resolveu tirar um descanso neste sábado de dezembro. depois de conversar com outros brasileiros no hostel, resolvi vir até o Cerro San Cristobal. Uma colega de quarto já havia me desiludido: "Nada demais, em vista dia outros lugares por que passei. Há um funicular que te leva até o topo, você passa por um zoológico... Ok."


Diante deste depoimento e da minha constante sonolência nesta cidade, resolvi vir até aqui apenas por causa da folga do Sr. Sol.  E que bom que ele tirou folga hoje! Ao invés de vir até o topo pelo funicular e perder meus pesos chilenos, resolvi perder meus pesos localizados na região da barriga e do quadril fazendo a subida através de uma trilha disponível.

Não é uma subida fácil... Não sei se posso culpar a altitude ou se o problema é realmente minha falta de preparo físico! Enfim.... Depois de umas duas horas de caminhada (eu subi devagarinho), deparei-me com uma visão que realmente me fez chorar de emoção... Velando por toda cidade, se encontra Nossa Senhora da Conceição! 

Essa senhora conseguiu me emocionar e impressionar muito mais que a vista 360 graus disponível aqui! Escrevo este post depois de algum tempo de meditação, algumas preces e orações... E depois de entender finalmente que 25 dias não serão em excesso. Serão suficientes. Suficientes porque sei que é assim que Deus trabalha e é assim que sempre peço: "Dê-me apenas o suficiente."

E que Nossa Senhora da Conceição siga sempre rogando por nós.


read more

Indigesto




Chega um ponto que de duas uma (ou três, quatro...): Ou você anda supervalorizando as adversidades e sofrendo em demasiado por conta de coisas pequenas e por causa disso se afasta de todas as pessoas mais importantes pra você. 

Ou pode ser que aquele teste feito na internet esteja certo quanto à suspeita de TDAH e você deva procurar um médico para te ajudar a tratar/lidar com isso bem como com sua ansiedade que também te induz ao isolamento e a se afastar das pessoas pelas quais possui apreço. 

Ou ainda, pode ser que você não esteja supervalorizando as adversidades nem tampouco sofra de TDAH ou ansiedade... Pode ser que com tudo que esteja acontecendo, você não seja tão fraca ou fresca assim no final das contas. E essa sensação de que perdeu o controle de fato condiz com a realidade. 

Ou ainda, talvez possa haver uma quarta opção: uma opção onde a visão (nesse momento limitada) não consiga enxergar. 

A questão é que independente de as coisas estarem difíceis ou não, de eu andar fragilizada/histérica ou não, tenho me chateado com uma enorme facilidade com pessoas que antes costumava ter uma boa convivência. 

Nem sei se é a coisa mais cristã de se confessar... Sei que Jesus disse também para fazermos o bem sem olhar a quem, sem esperar qualquer tipo de retorno. Mas de duas uma: Ou sou humana e é difícil conceber um mundo sem essa troca equivalente ou sou apenas egoísta e ponto. 

Sou egoísta e fraca porque fico magoada quando "pessoas que prezo e procuro estar lá por elas" não conseguem perceber que algum pedido simples que eu faça se trate de um grito de socorro velado. E como se não bastasse, além de egoísmo, sobra - me ainda orgulho e intransigência. 

Deus... Que merda de pessoa eu sou? Por que eu não aprendo de uma vez por todas a colocar em prática essa humildade que o Senhor vem há tempos tentando me ensinar? 
Por quê? 

Esse estado constante de "estar parado" por fora e um "tornado" por dentro, vendo as coisas se deteriorarem dentro de mim dia após dia. Por coisas pequenas, sim. Mas se deteriorando de qualquer maneira. 

Eu só queria paz. Paz de espírito. Só queria um pouco de leveza, igual àquela que eu sentia antigamente. Só precisava do olhar atento para perceber as peripécias da vida, essas que eu costumava me deliciar assistindo e ao mesmo tempo pensando "como pode as pessoas não perceberem isso?" 

Vai ver que o pecado do corpo seja mesmo a língua. De certo me tornei "aquelas pessoas" e uma vez que trilhamos tal caminho fica um pouco difícil voltar atrás... Desdizer o que foi dito, desfazer uma ação aqui e acolá. 

São tantas "pequenas preces" pensadas, gritadas por dentro. Será que preciso dizer em voz alta para me fazer ouvir? Ou ainda: O que eu julgo como necessário é mesmo aquilo que preciso ou o que eu acho que as outras pessoas precisam? 

Não é falando mal, mas eu preferia não possuir certos pressentimentos. Eles só aumentam minha agonia e exibem minha impotência. Ok, eu não me importo com a impotência. Me incomoda mesmo é a agonia de acabar sempre sofrendo por antecedência, deixando de viver, perceber e FAZER aquilo que é necessário neste momento... E claro, ter a consciência de que ao fazer isso desperdiço apenas o meu tempo e minha vida. 

Que pena. 
No mínimo... Indigesto. 


21/11/2014

read more

Bob(eiras)

26/05/2014
E aí, doutora, belezinha?! 
É o seguinte: cansei-me da humanidade. Cansei! O que eu faço?
Não sei... Faz dias que ando nessa ansiedade, nesse aperto no peito. Acho que dizer "eu não quero mais sair de casa" soa um pouco dramático e dizer "eu não faço questão de estar com essa gente" soa arrogante até por demais. Mas sendo franca contigo e comigo, a verdade é bem essa.

Estou me tornando uma pessoa meio bitolada, aérea. Anos que não assisto jornais mas eu ainda filtrava as coisas na Internet. Agora até a coragem para isso se foi; parece que as águas desse riacho desaguam todas no mesmo lugar. Eu vejo tanta coisa errada ao meu redor. Eu vejo tanta gente preocupada com futilidades. Vejo tanta gente gritando e fazendo alarde, tanta gente gritando, protestando, tirando a roupa, passando por situações ridículas como forma de expressar sua não concordância com as coisas que acontecem. Eu vejo e ouço tudo isso, no entanto, é como se eu estivesse num semi-vácuo; isso mesmo... é como se o som de tudo isso viesse com força em minha direção e de repente lhe faltasse qualquer molécula para lhe fazer chegar até mim. Sabe aquela coisa de 'perdido no meio do caminho'? Não tem força, não chega, não cola.

Temo estar me tornando tudo aquilo que eu não queria ser. É chato isso. Eu já tive meu tempo "Vamos mudar o mundo", "Nós podemos fazer a diferença"... Mas ultimamente estou mais é para "Quero que tudo se dane!". O que é que há comigo? Ser correta é tão importante para mim. Ser uma pessoa de 'bom coração', de fé, de princípios e blá blá blá. Eu sou assim. Eu me sinto mal quando saio um pouquinho da linha, eu me torturo com culpas nem tão terríveis. Mas se por um lado isso é bom, dá margem pra muita gente de má fé não só tirar proveito como tirar onda dessa carinha que Deus nos deu. Isso tem me irritado TANTO! Um tanto assim que tem horas que juro que vou ter um infarto antes do tempo. 

Tudo bem ter princípios, tudo bem fazer o bem (mesmo que isso enrole tua vida vez ou outra)... Mas para quê se aproveitar de pobres pessoas que nessa vida não aprenderam a dizer "NÃO"? Sei que temos que "fazer o bem sem olhar a quem" e "sem esperar nada em troca", mas tenho visto tantas pessoas se aproveitando disso, conversando contigo, te pedindo favores e etc apenas quando é conveniente para elas. Pessoas que você gentilmente oferece a mão e de repente querem teus braços, pernas, tronco... Será que pessoas assim pensam que somos otários? 

Eu me sinto uma otária a maior parte do tempo. E ainda sinto culpa por sentir raiva desse tipo de gente. Mas apesar dessa culpa, de uns tempos pra cá eu tenho deixado a minha fera correr solta. Tenho tentado deixar a raiva fluir, tenho me permitido ter preguiça de ver e conversar com as pessoas, tenho ignorado os gritos de culpa ecoantes no meu interior... Adoro conversar com o João Paulo nessas horas porque eu digo: "Jão, estou com vontade matar um..." (alguém) e ele vai e me diz: "Não passe vontade, Viii!".

Mas como eu digo, é algo cíclico, como o símbolo do infinito. Se por um lado eu sinto essa necessidade de não reprimir culpas, raivas, insatisfações (com a vida e com o mundo), também fala alto aquela minha essência, que no momento anda escondida em algum lugar. Fala alto aquela coisa de "Não precisa de todo esse exagero, as coisas não andam às mil maravilhas, mas se colocarmos na balança, as pequenas e boas coisas ainda pesam mais do que as ruins. Não há motivo para tanto alarde...". Entendem?

Eu já disse a uma amiga minha que preciso voltar a fazer terapia. Acho que o que escrevi acima é mais ou menos o que eu gostaria de dizer para uma pobre e desinformada psicóloga qualquer hora dessas. Mas eu nunca digo. Esse tipo de desabafo sempre emperra na garganta e volta para onde surgiu. Acho que isso também adoece.

E talvez, desde o momento que comecei a escrever aqui, tudo de tratasse de apenas essa palavra: Desesperança
Estou desesperançosa com o mundo. A cólera toma de conta quando vejo noticiários. Quando assisto tanta estupidez recorrente, tanta gente mal assistida, tanta ignorância, intolerância, desamor, má fé, falta de vergonha na cara, falta de princípios e bons costumes, falta de consideração com quem está ao lado, ou mesmo com aqueles que são dependentes. A sensação ao entrar em contato com essas coisas é resumida em uma pergunta apenas: "Eu preciso disso?". 

O que tanta coisa ruim tem a acrescentar? Obviamente fechar os olhos e ser conivente com determinadas situações também não é o caminho. Entretanto... Eu vou gritar? Espernear? Chorar? (Juro que já fiz tudo isso e não adiantou).  Eu sigo naquela mesma filosofia de mudar o meu mundo e meu comportamento primeiro para depois poder/querer exigir algo de quem/do quê está à minha volta. Mas isso nos deixa introspectivo as vezes. Eu vejo grande parte dos meus amigos fazendo um esforço para se ajustarem a isso quem chamam de Sociedade; para alguns é natural, outros já encontram 'enroscos' no caminho como eu - mas continuam tentando(!). E eu que nem isso tenho feito?

Minha pergunta hoje nem é "Onde é que o mundo vai parar?". A pergunta é: "Onde EU  irei parar nesse mundo?". Essas são perguntas que dão medo de fazer. E as respostas, não sei se quero ouvir.


 
Som que me tem feito viajar ultimamente...


E de acordo com os amigos mais sossegados, que sobreviveram à essa fase cruel esquisita, eu só preciso praticar esportes. Jiu-Jitsu, por exemplo. 
read more

Meu post sobre o Dia do Amigo Virtual (atrasado..!)

Era outubro ou novembro de 2010 quando li a notícia de que haveria show do U2 no Brasil. Boatos diziam que seria em abril e pensei: "Abril... Aniversário... Quem sabe não me dou esse presente....". Veio dezembro, abriu venda dos ingressos e eu fui uma das aproximadamente 270 mil pessoas que conseguiu comprar entrada e pasmem...: para o dia do meu aniversário!

Mesmo em estado de estupor, sem acreditar que aquilo estava mesmo acontecendo, comecei a me preocupar com os detalhes. Detalhes tipo São Paulo: a "cidade mais populosa do Brasil, do continente americano e de todo o hemisfério sul" - dizeres da Wikipédia - e eu indo para lá sozinha pela primeira vez sem possuir conhecidos que pudessem me receber e tals. Os comentários era unânimes: "Você vai sozinha?", "Sim", "Você é LOUCA!".

Nessa época eu já tinha o blog. Dictum et Factum nasceu em meados de maio ou junho de 2009. Ou foi na época da CSBC? Enfim. O fato é que desde aquele tempo eu já tinha meu cantinho na web e já tinha conhecido pessoas ma-ra-vi-lho-sas; surpreendentes. Pessoas que me ensinaram e ensinam muito até hoje. Pessoas que acompanho e que me acompanham mesmo sem nunca nos termos visto pessoalmente. Praticamente parentes distantes. *-*

Nesse grupo de pessoas muito queridas tem a Lari. Lari é a potiguar mais "porreta" e encantadora que tive o prazer de conhecer. Ela vive no Espírito Santo e na época ainda escrevia para o blog Nunca Soube Se Prestava. Quando soube que eu iria para aqueles lados do país disse: "Amiga, aproveite e venha passar alguns dias aqui em Vix comigo!". Como eu não podia, ela disse: "Então eu vou para Sampa também, pra gente se encontrar.".

Naquele momento tive duas linhas de pensamento.
   1º: "Fantástico! Terei o prazer de conhecer essa figura tão gente boa pessoalmente. Não estarei sozinha na    selva de pedra! Urrul!"
   2º: " E se eu tiver me enganado no 'diagnóstico de pessoas legais encontradas na web'? E se ela for uma        dessas psicopatas? Ela vai me buscar no aeroporto.... Se ela estiver mal intencionada eu fico sem                  bagagem e sem grana no aeroporto mesmo!!!".


Felizmente minha primeira linha de pensamento estava certo. Afinal meu "diagnóstico de pessoas legais encontradas na web" estava funcionando legal. Lembro-me de uma das experiências incríveis que tive, que está diretamente relacionada à minha teoria relacionada às relações que criamos virtualmente: nós acabamos por conhecer muito melhor as pessoas quando não as vemos pessoalmente. Ou pelo menos quem me conhece por aqui (mundo virtual), conhece muito mais do que gente que topo todos os dias ao vivo e a cores.  



O interessante desse contato virtual é que as pessoas acabam se encontrando e ficando amigos não por conta de aparências, mas por gostos, Hobbies, filosofias em comum. Na relação carne e osso a gente sempre se depara com o fator aparência e consequentemente o fator "primeira impressão". As vezes por simplesmente não 'irmos com a cara' do outro deixamos de dar a oportunidade de conhecer melhor o indivíduo do outro lado. E voltando à história do encontro com a Lari o mais legal foi exatamente isso: a gente não teve aquele  gelo de 'estar conhecendo' uma pessoa nova, parecia que nos conhecíamos a vida inteira! Assim também aconteceu quando conheci o Hugo (ele já mora no mesmo estado que eu!), super de boa, super sincero!


E é porque gosto e prezo tanto essas pessoas que escrevo esse post atrasado sobre o Dia dos Amigos Virtuais! De 2009 para cá estive em contato com muitas pessoas maravilhosas: Sissym, Maria Alice, Marcos Kawanami, Daniel Hiver, André 'Fi' e Mayanne Micaelli (que também conheço pessoalmente)... os amigos do Aika (que são os que tenho estado com maior frequência atualmente)...  A todos vocês eu desejo o que há de melhor. A todos digo que me importo de coração e o que eu puder fazer daqui da minha cadeira em frente ao pc, ahhh, eu farei. Obrigada pela presença, companhia, conselhos, pelas rizadas que me proporcionam e também os consolos. 

Valeu, gente! Que perdure. ;)
read more

Decidi que vou Casar!

Acho que todos que me conhecem bem e os amigos aqui do blog  que acompanham as abobrinhas que escrevo ou escutam as baboseiras que eu falo, sabem que estou há tempos, passando por um período de transição ou coisa parecida.

Nesse post aqui, vocês viram um pouquinho da minha crise de idade, rs. E aqui, um pouco dos questionamentos que tenho feito ou do quanto sou grata por cada experiência que Deus coloca no meu caminho.

O fato é que de um tempo pra cá tenho tentado muito, mas muito mesmo, entender o sentido das coisas. É um pensamento ambicioso, eu sei, mas não me entendam mal. Acho que evoluímos muito interna e humanamente quando nos dispomos a olhar um pouco ao nosso redor; quando tentamos não supervalorizar os nossos probleminhas de cada dia e tals. Para isso então, cada situação que me acontece eu tento fazer um tipo de verificação, buscando sentidos em entrelinhas para que nada passe desapercebido.

Fazendo essas 'verificações', percebi que é necessário definir prioridades na vida. Acho que já dividi com todos aqui os meus desejos profissionais, minhas vitórias e frustrações. Desde que saí da faculdade eu tenho tentado conseguir essas coisas (especialização, mestrado, doutorado...) mas, como eu evidenciei no post sobre minha crise de idade, tenho andado bem lerda quanto aos estudos e tudo o mais. E não sei se é porque ando com meu instinto materno aflorado ultimamente, mas cheguei à conclusão que entre outras coisas, eu também quero casar!!!

Eu vejo, nesse meio acadêmico uma série de profissionais inteligentíssimos, competentíssimos e tals, mas que para chegar nesse grau de titulação tiveram que abrir mão de tantas coisinhas comuns à maioria das pessoas e isso é tão triste. Eu não quero ser uma tia velha casada apenas com títulos! Credo! :s

Não estou condenando quem é assim, vejam bem. É como eu disse no começo: tudo é questão de se definir prioridades. E ser uma tia velha casada com títulos não é a minha. Descobri isso há aproximadamente umas quatro semanas e fiquei tão feliz com essa descoberta! É muito mais fácil ser objetivo quando sabemos o que estamos buscando. (Óbvio, né? Mas pasmem, eu dei muitas voltas para chegar à essa conclusão, haha.)

Quando eu estava ministrando um curso em uma cidadezinha entre outubro e novembro de 2013, um dia conversando com um aluno com um certo potencial, perguntei a ele o que ele esperava, ansiava ou lutava nessa vida, algo nesse sentido. Eu perguntei isso porque eu passo tanto tempo pensando nisso, tipo: até onde sabemos, só possuímos essa vida, essa oportunidade de ver, conhecer, saber e experimentar coisas e situações. Eu tenho minha listinha de coisas que, ao chegar no final da minha vida, gostaria muito de olhar para trás e me sentir realizada e com a sensação de dever cumprido. Claro que isso me torna uma pessoa meio  totalmente sistemática, etc (mas já estou acostumada). Mas o que me deixa realmente intrigada, é que muita gente não pensa a esse respeito.

Você já parou pra pensar nisso? A vida é algo único e todos estamos aqui por alguma razão... Então imagine a pessoa apenas passar por aqui de maneira vazia? É ou não é de cortar o coração? Sei que esse é um pensamento superficial, sei que todas as pessoas possuem o seu valor. Muitas vezes nos sentimos insignificantes nesse grande caos de existência e SOMOS mesmo (insignificantes). No entanto,  mesmo em nossa pequenez existe um sentido, somos sim capazes de gerar mudanças - de pequeno, médio e grande porte -, e talvez  - isso vai soar utópico - se mais pessoas tivessem consciência disso, o mundo não estaria tão carregado de desamor, barbáries e egoísmo.

Alguma sábia pessoa já disse por aí que não se faz omelete sem quebrar os ovos... Então que quebremos todos eles e façamos ovos, bolos e biscoitos. Não dá pra chegar a algum lugar sem ter uma vaga ideia de para onde ir. Encerro esse post com algumas citações que encontrei na internet, visto não encontrei nenhuma que se enquadrasse nos livros que andei lendo. Beijos, beijos e um feriado de carnaval legalzinho para todo mundo. 







**********

"O objetivo da vida é o autodesenvolvimento; é perceber, com perfeição, nossa natureza... é para isto que estamos aqui, cada um de nós. Mas, hoje em dia, as pessoas têm medo de si próprias. Esqueceram da mais elevada das obrigações, a obrigação que devemos a nós mesmos. Mas, é claro, são caridosas. Alimentam os famintos, vestem os mendigos. Suas próprias almas, entretanto, sentem fome, estão nuas." - Oscar Wilde.

"Existem dois objetivos na vida: o primeiro, o de obter o que desejamos; o segundo, o de desfrutá-lo. Apenas os homens mais sábios realizam o segundo." - L. Smith

27/02/2014
read more