10 abril 2015

Penseira




Ouvir Shelter da Birdy no dia do seu aniversário com uma vontade básica de chorar realmente faz repensar se foi uma boa ideia suspender o uso do fluoxetina por conta própria. Rs

Melancolias a parte... 2.6. Não me lembro exatamente agora quantos anos eu tinha quando coloquei o Dictum et Factum na rede; imagino que tenha sido aos 19. Anyway. Passou voando. O tempo tem voado desde... quando?

O que posso dizer? Bem, altos, baixos, alegrias, tristezas, surpresas e decepções. Quem nunca? Se houvesse uma palavra para definir o momento talvez fosse "Iminências". Acho que nunca tive tantas urgências como nos últimos tempos. Urgências quanto ao trabalho, à família, aos vícios. E ao mesmo tempo um desligamento de outras coisas tão importantes e que de repente perderam algumas posições no meu ranking de importância ou iminências.

26. Fala sério. Eu devia estar em outro lugar nesse momento. Saindo com alguns amigos, ou compartilhando um bolinho com a família... mas tá. Computador para que te quero. E um livro do Boaventura Sousa Santos no colo e uma vontade louca de jogá-lo para minha cadela e enviar um "Que se Dane" do tamanho do mundo para a prova de Mestrado que eu farei próximo domingo e que já sei que não irei passar. Rs

Neste vigésimo sexto dia do meu nome (como Martin nomeia nas suas crônicas de Gelo e Fogo) recebi felicitações de pessoas queridas logo após a meia noite (argumentar que eu ainda não havia nascido naquele horário nunca convence meus amigos teimosos); Ao acordar, mensagens de pessoas queridas e de pessoas inesperadas (é boa essa sensação de se sentir querido, não é?) Eu apenas não queria me doer por não me "sentir querida" por aqueles que julgamos ser mais levados em conta. Mas enfim. Não sei mesmo por que tamanha afetação. Afinal é apenas um outro dia. Graças a Deus.

Dá um nózinho na garganta quando aqui, me sentindo pra baixo e mal amada, me recordo daqueles que já se foram. Que não terão a oportunidade de completar mais um ano de vida. É quase um sentimento de miséria: "por que eu continuo aqui? não sei se mereço". Mas tá. Vou voltar para meu fichamento que essa conversa aqui não vai dar futuro.

Enfim. É engraçado como nos momentos que eu fico meio "assim" eu corro de volta para meu blog, meu diário, minha "penseira". Só preciso ser prática. Espero daqui algumas horas, dias ou meses poder reler isso e pensar: " Que besteira! A vida é tão "mais que isso"".  Vamos com fé. Vai que um hora cola x)

21 dezembro 2014

Conceição


Sabe aquelas surpresas agradáveis? Surpresa com caras de benção...  Estou há cinco dias em Santiago do Chile... Eu tenho planejado, sonhado, idealizado esta viagem há pelo menos 6 anos.
Esta semana pousei aqui para uma aventura de 25 dias. Destes 25, 15 percorrerei "sozinha". Entre aspas porque nunca estou só. Tudo o que vou fazer (em especial essas aventuras incomuns) eu sempre peço a bênção e a permissão de meus pais e do Pai maior.E apesar de todos os contratempos até surgiram nos últimos dois meses em todos os sentidos as portas se abriram! Que alegria!

Esta semana pousei aqui sem mal saber como se diz "Olá" em espanhol, fui passada a perna no aeroporto (o taxi mais caro já pago em minha vida), rs. Andei bastante, ganhei alguns calos nos pés, cheguei perto de uma "ensolação" nos Andes, e já tinha dito nesta manhã à minha família pelo Skype: "25 dias serão demais!" Eu dizia isso porque se manter tantos dias fora de seu país e com uma outra moeda pode sair caro para uma persona como eu. Dizia isso também não apenas por questões financeiras, mas porque Santiago é uma grande capital; aqui se vê muitas pessoas prédios, museus, feiras, muitas galerias, muitas praças (belíssimas por sinal), muitas construções antigas e charmosas... Mas é isso... Por onde você vai, não há muita diferença...

Minha viagem coincidiu com o verão chileno, o que não foi ruim, porque meu guarda roupa de frio não é dos melhores. Pela manhã aqui é fresco e durante a tarde o sol se abre e dá pra pegar um bronze... Eu não gosto de tomar sol, rs. Então até por isso não andava muito animada para desfilar por aí fazendo curso pra carne seca, rs. Hoje, entretanto, amanheceu fazendo 13 graus e o senhor Sol resolveu tirar um descanso neste sábado de dezembro. depois de conversar com outros brasileiros no hostel, resolvi vir até o Cerro San Cristobal. Uma colega de quarto já havia me desiludido: "Nada demais, em vista dia outros lugares por que passei. Há um funicular que te leva até o topo, você passa por um zoológico... Ok."


Diante deste depoimento e da minha constante sonolência nesta cidade, resolvi vir até aqui apenas por causa da folga do Sr. Sol.  E que bom que ele tirou folga hoje! Ao invés de vir até o topo pelo funicular e perder meus pesos chilenos, resolvi perder meus pesos localizados na região da barriga e do quadril fazendo a subida através de uma trilha disponível.

Não é uma subida fácil... Não sei se posso culpar a altitude ou se o problema é realmente minha falta de preparo físico! Enfim.... Depois de umas duas horas de caminhada (eu subi devagarinho), deparei-me com uma visão que realmente me fez chorar de emoção... Velando por toda cidade, se encontra Nossa Senhora da Conceição! 

Essa senhora conseguiu me emocionar e impressionar muito mais que a vista 360 graus disponível aqui! Escrevo este post depois de algum tempo de meditação, algumas preces e orações... E depois de entender finalmente que 25 dias não serão em excesso. Serão suficientes. Suficientes porque sei que é assim que Deus trabalha e é assim que sempre peço: "Dê-me apenas o suficiente."

E que Nossa Senhora da Conceição siga sempre rogando por nós.



21 novembro 2014

Indigesto




Chega um ponto que de duas uma (ou três, quatro...): Ou você anda supervalorizando as adversidades e sofrendo em demasiado por conta de coisas pequenas e por causa disso se afasta de todas as pessoas mais importantes pra você. 

Ou pode ser que aquele teste feito na internet esteja certo quanto à suspeita de TDAH e você deva procurar um médico para te ajudar a tratar/lidar com isso bem como com sua ansiedade que também te induz ao isolamento e a se afastar das pessoas pelas quais possui apreço. 

Ou ainda, pode ser que você não esteja supervalorizando as adversidades nem tampouco sofra de TDAH ou ansiedade... Pode ser que com tudo que esteja acontecendo, você não seja tão fraca ou fresca assim no final das contas. E essa sensação de que perdeu o controle de fato condiz com a realidade. 

Ou ainda, talvez possa haver uma quarta opção: uma opção onde a visão (nesse momento limitada) não consiga enxergar. 

A questão é que independente de as coisas estarem difíceis ou não, de eu andar fragilizada/histérica ou não, tenho me chateado com uma enorme facilidade com pessoas que antes costumava ter uma boa convivência. 

Nem sei se é a coisa mais cristã de se confessar... Sei que Jesus disse também para fazermos o bem sem olhar a quem, sem esperar qualquer tipo de retorno. Mas de duas uma: Ou sou humana e é difícil conceber um mundo sem essa troca equivalente ou sou apenas egoísta e ponto. 

Sou egoísta e fraca porque fico magoada quando "pessoas que prezo e procuro estar lá por elas" não conseguem perceber que algum pedido simples que eu faça se trate de um grito de socorro velado. E como se não bastasse, além de egoísmo, sobra - me ainda orgulho e intransigência. 

Deus... Que merda de pessoa eu sou? Por que eu não aprendo de uma vez por todas a colocar em prática essa humildade que o Senhor vem há tempos tentando me ensinar? 
Por quê? 

Esse estado constante de "estar parado" por fora e um "tornado" por dentro, vendo as coisas se deteriorarem dentro de mim dia após dia. Por coisas pequenas, sim. Mas se deteriorando de qualquer maneira. 

Eu só queria paz. Paz de espírito. Só queria um pouco de leveza, igual àquela que eu sentia antigamente. Só precisava do olhar atento para perceber as peripécias da vida, essas que eu costumava me deliciar assistindo e ao mesmo tempo pensando "como pode as pessoas não perceberem isso?" 

Vai ver que o pecado do corpo seja mesmo a língua. De certo me tornei "aquelas pessoas" e uma vez que trilhamos tal caminho fica um pouco difícil voltar atrás... Desdizer o que foi dito, desfazer uma ação aqui e acolá. 

São tantas "pequenas preces" pensadas, gritadas por dentro. Será que preciso dizer em voz alta para me fazer ouvir? Ou ainda: O que eu julgo como necessário é mesmo aquilo que preciso ou o que eu acho que as outras pessoas precisam? 

Não é falando mal, mas eu preferia não possuir certos pressentimentos. Eles só aumentam minha agonia e exibem minha impotência. Ok, eu não me importo com a impotência. Me incomoda mesmo é a agonia de acabar sempre sofrendo por antecedência, deixando de viver, perceber e FAZER aquilo que é necessário neste momento... E claro, ter a consciência de que ao fazer isso desperdiço apenas o meu tempo e minha vida. 

Que pena. 
No mínimo... Indigesto. 


21/11/2014


26 maio 2014

Bob(eiras)

26/05/2014
E aí, doutora, belezinha?! 
É o seguinte: cansei-me da humanidade. Cansei! O que eu faço?
Não sei... Faz dias que ando nessa ansiedade, nesse aperto no peito. Acho que dizer "eu não quero mais sair de casa" soa um pouco dramático e dizer "eu não faço questão de estar com essa gente" soa arrogante até por demais. Mas sendo franca contigo e comigo, a verdade é bem essa.

Estou me tornando uma pessoa meio bitolada, aérea. Anos que não assisto jornais mas eu ainda filtrava as coisas na Internet. Agora até a coragem para isso se foi; parece que as águas desse riacho desaguam todas no mesmo lugar. Eu vejo tanta coisa errada ao meu redor. Eu vejo tanta gente preocupada com futilidades. Vejo tanta gente gritando e fazendo alarde, tanta gente gritando, protestando, tirando a roupa, passando por situações ridículas como forma de expressar sua não concordância com as coisas que acontecem. Eu vejo e ouço tudo isso, no entanto, é como se eu estivesse num semi-vácuo; isso mesmo... é como se o som de tudo isso viesse com força em minha direção e de repente lhe faltasse qualquer molécula para lhe fazer chegar até mim. Sabe aquela coisa de 'perdido no meio do caminho'? Não tem força, não chega, não cola.

Temo estar me tornando tudo aquilo que eu não queria ser. É chato isso. Eu já tive meu tempo "Vamos mudar o mundo", "Nós podemos fazer a diferença"... Mas ultimamente estou mais é para "Quero que tudo se dane!". O que é que há comigo? Ser correta é tão importante para mim. Ser uma pessoa de 'bom coração', de fé, de princípios e blá blá blá. Eu sou assim. Eu me sinto mal quando saio um pouquinho da linha, eu me torturo com culpas nem tão terríveis. Mas se por um lado isso é bom, dá margem pra muita gente de má fé não só tirar proveito como tirar onda dessa carinha que Deus nos deu. Isso tem me irritado TANTO! Um tanto assim que tem horas que juro que vou ter um infarto antes do tempo. 

Tudo bem ter princípios, tudo bem fazer o bem (mesmo que isso enrole tua vida vez ou outra)... Mas para quê se aproveitar de pobres pessoas que nessa vida não aprenderam a dizer "NÃO"? Sei que temos que "fazer o bem sem olhar a quem" e "sem esperar nada em troca", mas tenho visto tantas pessoas se aproveitando disso, conversando contigo, te pedindo favores e etc apenas quando é conveniente para elas. Pessoas que você gentilmente oferece a mão e de repente querem teus braços, pernas, tronco... Será que pessoas assim pensam que somos otários? 

Eu me sinto uma otária a maior parte do tempo. E ainda sinto culpa por sentir raiva desse tipo de gente. Mas apesar dessa culpa, de uns tempos pra cá eu tenho deixado a minha fera correr solta. Tenho tentado deixar a raiva fluir, tenho me permitido ter preguiça de ver e conversar com as pessoas, tenho ignorado os gritos de culpa ecoantes no meu interior... Adoro conversar com o João Paulo nessas horas porque eu digo: "Jão, estou com vontade matar um..." (alguém) e ele vai e me diz: "Não passe vontade, Viii!".

Mas como eu digo, é algo cíclico, como o símbolo do infinito. Se por um lado eu sinto essa necessidade de não reprimir culpas, raivas, insatisfações (com a vida e com o mundo), também fala alto aquela minha essência, que no momento anda escondida em algum lugar. Fala alto aquela coisa de "Não precisa de todo esse exagero, as coisas não andam às mil maravilhas, mas se colocarmos na balança, as pequenas e boas coisas ainda pesam mais do que as ruins. Não há motivo para tanto alarde...". Entendem?

Eu já disse a uma amiga minha que preciso voltar a fazer terapia. Acho que o que escrevi acima é mais ou menos o que eu gostaria de dizer para uma pobre e desinformada psicóloga qualquer hora dessas. Mas eu nunca digo. Esse tipo de desabafo sempre emperra na garganta e volta para onde surgiu. Acho que isso também adoece.

E talvez, desde o momento que comecei a escrever aqui, tudo de tratasse de apenas essa palavra: Desesperança
Estou desesperançosa com o mundo. A cólera toma de conta quando vejo noticiários. Quando assisto tanta estupidez recorrente, tanta gente mal assistida, tanta ignorância, intolerância, desamor, má fé, falta de vergonha na cara, falta de princípios e bons costumes, falta de consideração com quem está ao lado, ou mesmo com aqueles que são dependentes. A sensação ao entrar em contato com essas coisas é resumida em uma pergunta apenas: "Eu preciso disso?". 

O que tanta coisa ruim tem a acrescentar? Obviamente fechar os olhos e ser conivente com determinadas situações também não é o caminho. Entretanto... Eu vou gritar? Espernear? Chorar? (Juro que já fiz tudo isso e não adiantou).  Eu sigo naquela mesma filosofia de mudar o meu mundo e meu comportamento primeiro para depois poder/querer exigir algo de quem/do quê está à minha volta. Mas isso nos deixa introspectivo as vezes. Eu vejo grande parte dos meus amigos fazendo um esforço para se ajustarem a isso quem chamam de Sociedade; para alguns é natural, outros já encontram 'enroscos' no caminho como eu - mas continuam tentando(!). E eu que nem isso tenho feito?

Minha pergunta hoje nem é "Onde é que o mundo vai parar?". A pergunta é: "Onde EU  irei parar nesse mundo?". Essas são perguntas que dão medo de fazer. E as respostas, não sei se quero ouvir.


 
Som que me tem feito viajar ultimamente...


E de acordo com os amigos mais sossegados, que sobreviveram à essa fase cruel esquisita, eu só preciso praticar esportes. Jiu-Jitsu, por exemplo. 

26 março 2014

Meu post sobre o Dia do Amigo Virtual (atrasado..!)

Era outubro ou novembro de 2010 quando li a notícia de que haveria show do U2 no Brasil. Boatos diziam que seria em abril e pensei: "Abril... Aniversário... Quem sabe não me dou esse presente....". Veio dezembro, abriu venda dos ingressos e eu fui uma das aproximadamente 270 mil pessoas que conseguiu comprar entrada e pasmem...: para o dia do meu aniversário!

Mesmo em estado de estupor, sem acreditar que aquilo estava mesmo acontecendo, comecei a me preocupar com os detalhes. Detalhes tipo São Paulo: a "cidade mais populosa do Brasil, do continente americano e de todo o hemisfério sul" - dizeres da Wikipédia - e eu indo para lá sozinha pela primeira vez sem possuir conhecidos que pudessem me receber e tals. Os comentários era unânimes: "Você vai sozinha?", "Sim", "Você é LOUCA!".

Nessa época eu já tinha o blog. Dictum et Factum nasceu em meados de maio ou junho de 2009. Ou foi na época da CSBC? Enfim. O fato é que desde aquele tempo eu já tinha meu cantinho na web e já tinha conhecido pessoas ma-ra-vi-lho-sas; surpreendentes. Pessoas que me ensinaram e ensinam muito até hoje. Pessoas que acompanho e que me acompanham mesmo sem nunca nos termos visto pessoalmente. Praticamente parentes distantes. *-*

Nesse grupo de pessoas muito queridas tem a Lari. Lari é a potiguar mais "porreta" e encantadora que tive o prazer de conhecer. Ela vive no Espírito Santo e na época ainda escrevia para o blog Nunca Soube Se Prestava. Quando soube que eu iria para aqueles lados do país disse: "Amiga, aproveite e venha passar alguns dias aqui em Vix comigo!". Como eu não podia, ela disse: "Então eu vou para Sampa também, pra gente se encontrar.".

Naquele momento tive duas linhas de pensamento.
   1º: "Fantástico! Terei o prazer de conhecer essa figura tão gente boa pessoalmente. Não estarei sozinha na    selva de pedra! Urrul!"
   2º: " E se eu tiver me enganado no 'diagnóstico de pessoas legais encontradas na web'? E se ela for uma        dessas psicopatas? Ela vai me buscar no aeroporto.... Se ela estiver mal intencionada eu fico sem                  bagagem e sem grana no aeroporto mesmo!!!".


Felizmente minha primeira linha de pensamento estava certo. Afinal meu "diagnóstico de pessoas legais encontradas na web" estava funcionando legal. Lembro-me de uma das experiências incríveis que tive, que está diretamente relacionada à minha teoria relacionada às relações que criamos virtualmente: nós acabamos por conhecer muito melhor as pessoas quando não as vemos pessoalmente. Ou pelo menos quem me conhece por aqui (mundo virtual), conhece muito mais do que gente que topo todos os dias ao vivo e a cores.  



O interessante desse contato virtual é que as pessoas acabam se encontrando e ficando amigos não por conta de aparências, mas por gostos, Hobbies, filosofias em comum. Na relação carne e osso a gente sempre se depara com o fator aparência e consequentemente o fator "primeira impressão". As vezes por simplesmente não 'irmos com a cara' do outro deixamos de dar a oportunidade de conhecer melhor o indivíduo do outro lado. E voltando à história do encontro com a Lari o mais legal foi exatamente isso: a gente não teve aquele  gelo de 'estar conhecendo' uma pessoa nova, parecia que nos conhecíamos a vida inteira! Assim também aconteceu quando conheci o Hugo (ele já mora no mesmo estado que eu!), super de boa, super sincero!


E é porque gosto e prezo tanto essas pessoas que escrevo esse post atrasado sobre o Dia dos Amigos Virtuais! De 2009 para cá estive em contato com muitas pessoas maravilhosas: Sissym, Maria Alice, Marcos Kawanami, Daniel Hiver, André 'Fi' e Mayanne Micaelli (que também conheço pessoalmente)... os amigos do Aika (que são os que tenho estado com maior frequência atualmente)...  A todos vocês eu desejo o que há de melhor. A todos digo que me importo de coração e o que eu puder fazer daqui da minha cadeira em frente ao pc, ahhh, eu farei. Obrigada pela presença, companhia, conselhos, pelas rizadas que me proporcionam e também os consolos. 

Valeu, gente! Que perdure. ;)

27 fevereiro 2014

Decidi que vou Casar!

Acho que todos que me conhecem bem e os amigos aqui do blog  que acompanham as abobrinhas que escrevo ou escutam as baboseiras que eu falo, sabem que estou há tempos, passando por um período de transição ou coisa parecida.

Nesse post aqui, vocês viram um pouquinho da minha crise de idade, rs. E aqui, um pouco dos questionamentos que tenho feito ou do quanto sou grata por cada experiência que Deus coloca no meu caminho.

O fato é que de um tempo pra cá tenho tentado muito, mas muito mesmo, entender o sentido das coisas. É um pensamento ambicioso, eu sei, mas não me entendam mal. Acho que evoluímos muito interna e humanamente quando nos dispomos a olhar um pouco ao nosso redor; quando tentamos não supervalorizar os nossos probleminhas de cada dia e tals. Para isso então, cada situação que me acontece eu tento fazer um tipo de verificação, buscando sentidos em entrelinhas para que nada passe desapercebido.

Fazendo essas 'verificações', percebi que é necessário definir prioridades na vida. Acho que já dividi com todos aqui os meus desejos profissionais, minhas vitórias e frustrações. Desde que saí da faculdade eu tenho tentado conseguir essas coisas (especialização, mestrado, doutorado...) mas, como eu evidenciei no post sobre minha crise de idade, tenho andado bem lerda quanto aos estudos e tudo o mais. E não sei se é porque ando com meu instinto materno aflorado ultimamente, mas cheguei à conclusão que entre outras coisas, eu também quero casar!!!

Eu vejo, nesse meio acadêmico uma série de profissionais inteligentíssimos, competentíssimos e tals, mas que para chegar nesse grau de titulação tiveram que abrir mão de tantas coisinhas comuns à maioria das pessoas e isso é tão triste. Eu não quero ser uma tia velha casada apenas com títulos! Credo! :s

Não estou condenando quem é assim, vejam bem. É como eu disse no começo: tudo é questão de se definir prioridades. E ser uma tia velha casada com títulos não é a minha. Descobri isso há aproximadamente umas quatro semanas e fiquei tão feliz com essa descoberta! É muito mais fácil ser objetivo quando sabemos o que estamos buscando. (Óbvio, né? Mas pasmem, eu dei muitas voltas para chegar à essa conclusão, haha.)

Quando eu estava ministrando um curso em uma cidadezinha entre outubro e novembro de 2013, um dia conversando com um aluno com um certo potencial, perguntei a ele o que ele esperava, ansiava ou lutava nessa vida, algo nesse sentido. Eu perguntei isso porque eu passo tanto tempo pensando nisso, tipo: até onde sabemos, só possuímos essa vida, essa oportunidade de ver, conhecer, saber e experimentar coisas e situações. Eu tenho minha listinha de coisas que, ao chegar no final da minha vida, gostaria muito de olhar para trás e me sentir realizada e com a sensação de dever cumprido. Claro que isso me torna uma pessoa meio  totalmente sistemática, etc (mas já estou acostumada). Mas o que me deixa realmente intrigada, é que muita gente não pensa a esse respeito.

Você já parou pra pensar nisso? A vida é algo único e todos estamos aqui por alguma razão... Então imagine a pessoa apenas passar por aqui de maneira vazia? É ou não é de cortar o coração? Sei que esse é um pensamento superficial, sei que todas as pessoas possuem o seu valor. Muitas vezes nos sentimos insignificantes nesse grande caos de existência e SOMOS mesmo (insignificantes). No entanto,  mesmo em nossa pequenez existe um sentido, somos sim capazes de gerar mudanças - de pequeno, médio e grande porte -, e talvez  - isso vai soar utópico - se mais pessoas tivessem consciência disso, o mundo não estaria tão carregado de desamor, barbáries e egoísmo.

Alguma sábia pessoa já disse por aí que não se faz omelete sem quebrar os ovos... Então que quebremos todos eles e façamos ovos, bolos e biscoitos. Não dá pra chegar a algum lugar sem ter uma vaga ideia de para onde ir. Encerro esse post com algumas citações que encontrei na internet, visto não encontrei nenhuma que se enquadrasse nos livros que andei lendo. Beijos, beijos e um feriado de carnaval legalzinho para todo mundo. 







**********

"O objetivo da vida é o autodesenvolvimento; é perceber, com perfeição, nossa natureza... é para isto que estamos aqui, cada um de nós. Mas, hoje em dia, as pessoas têm medo de si próprias. Esqueceram da mais elevada das obrigações, a obrigação que devemos a nós mesmos. Mas, é claro, são caridosas. Alimentam os famintos, vestem os mendigos. Suas próprias almas, entretanto, sentem fome, estão nuas." - Oscar Wilde.

"Existem dois objetivos na vida: o primeiro, o de obter o que desejamos; o segundo, o de desfrutá-lo. Apenas os homens mais sábios realizam o segundo." - L. Smith

27/02/2014

31 dezembro 2013

Pressentimentos

31/12/13


Não foi exatamente sobre isso que imaginei o último post do ano; na realidade eu tenho aqui na ponta da língua uns dois ou três assuntos que gostaria de já ter postado, mas a preguiça tem me impedido. Me conforta a suposição de que não faltará oportunidade para tratá-los posteriormente.

O assunto de hoje é algo que tem me incomodado de uns dias ou meses para cá. Acho que nessa simples palavra posso resumir toda a angústia que com a qual tenho tido que lidar. Não sei até que ponto isso é positivo ou não. Saudável ou não. Não sei se você acredita ou não, ou se eu simplesmente tenho supervalorizado tudo isso.

Tal como nos filmes de super heróis, acredito que hajam controvérsias a respeito da autenticidade dos pressentimentos. Alguns dizem que isso é fato, outros dão de ombros e simplificam apenas reduzindo à palavra superstição. Já ouvi várias vezes pessoas me recriminando, dizendo que isso é besteira, que eu, minha mãe, tia e avó supervalorizamos tudo isso. Mas quem não carrega esse 'fardo', não sabe o quão angustiante isso pode ser. 

Minha mãe sempre me contou do olho esquerdo dela. Me contou de como quando esse tal olho tremia, algo ruim estava acontecendo ou por acontecer. Lembro-me de como ela ficava angustiada com aquilo, porque a única informação de que dispunha era essa: algo ruim estava prestes a acontecer.

De começo, eu sempre dei de ombros. Não acreditava nem desacreditava; deixava estar. Eu dizia a mim mesma que supervalorizar aquilo era dar razão ao medo e isso não era algo saudável.

Acontece que de alguns meses para cá, esses mesmos sinais, essa mesma herança de família tem se colocado sobre mim. E não sei dizer ao certo quando foi que me deixei desesperar por causa desse tipo de coisa.  

O fato é que, sabe quando você se vê cansado? Amedrontado? Como se você tivesse assumido o papel da pessoa forte por muito tempo e de repente você não consegue mais agir daquele modo? Tá certo que seria sobre humano 'resistir' friamente a todas as desventuras que volta e meia nos acontecem. Mas sabe quando você se torna sensível além da conta?

Nas últimas semanas aconteceram algumas coisinhas pequenas. Coisinhas perfeitamente resolvíveis. Mas olho para trás e fico encabulada como fiquei des-con-tro-la-da diante dessas situações. Cadê meu auto-controle? Cadê a frieza necessária para lidar com as adversidades que tanto tenho me esforçado para cultivar?

Converso com minha mãe e ela diz que tenho estado sobre muita pressão, que é muita coisa sobre mim agora, mas embora eu me sinta assim a maior parte do tempo, penso que não deveria ser assim. Poxa vida, a gente cai e se levanta o tempo todo. Ninguém nunca morreu por conta de adversidades ou períodos não tão ideais. Por que é então que quando se apresentam esses tipos de momento é como se nenhum pensamento racional fosse levado em conta na hora do desespero?

Em 2005, era um final de semana de abril e meus dois olhos tremiam freneticamente, de um jeito que já estava a incomodar. Eu nunca liguei aquilo à algo ruim prestes a acontecer. Mas assim que a semana entrou, meu avô sofreu um infarto e não fosse o socorro imediato ele não teria resistido.

Ano passado mais uma vez estava eu incomodada com os olhinhos a tremer. Também dei de ombros. Numa madrugada de domingo para segunda o telefone tocou. Minha prima de trinta e poucos anos, saudável, com duas filhas lindas... simplesmente teve um ataque cardíaco fulminante.

Esse ano, agora no final de novembro, início de dezembro, tive um dia daqueles que teria sido melhor ter ficado na cama, dormido até mais tarde, faltado o trabalho ou qualquer coisa do gênero. Eu devia ter me aquietado quando ele tremeu.

Três dias depois, assim, também sem aviso prévio meu avô se foi para sempre. Eu me lembro da ligação de meu pai avisando, foi bem na hora que eu estava saindo do trabalho. Naquele dia haveria uma confraternização, por isso todos estávamos encerrando o expediente meia hora mais cedo.

Lembro-me que combinei com um colega de trabalho para ele levar o presente do meu amigo secreto visto que eu não poderia comparecer... Cheguei em casa, concluí os diários que eu deveria enviar ao meu coordenador. Nessa altura o telefone já tocava incessantemente. Eu não atendia porque sabia da notícia que queriam me dar. Concluí todas as minhas pendências (como quem diz: agora posso entrar de luto em paz), fiz um lanche (a noite seria longa) e só então fui para a casa de minha avó dar assistência à família.

Hoje eu me pergunto: será que não chorei o suficiente naqueles dias? Será que meu discurso de "Morte é algo natural e certo para todas as pessoas" funcionou só na teoria e olhando pelo lado prático não valeu de nada como mecanismo de consolo?

O título desse post é 'Pressentimentos'. Meu olho (in)feliz tem dado sinais há alguns dias. Sei que não deveria dar importância a isso visto que nunca sei do que se trata nem a quem se direciona. Preocupar-se nesse sentido é inútil. Mas sabe quando vem aquele aperto, aquela angústia?

Sabe quando você não sabe se vai aguentar outro tapa da vida dessa natureza? Sabe quando você se sente apenas cansado e busca por tudo maneiras de desviar sua atenção desses sinais?

Não vou dizer "Que o ano novo traga bons ventos". Fica claro para mim a cada dia que passa que o ano nunca será novo se não nos renovarmos. Então acho que rezo por isso desse momento em diante. Que se façam todas as mudanças necessárias, mas que sejam de dentro para fora. Sempre.

É de maneira angustiada  e febril que escrevo o último post de 2013.
E a pergunta que eu deixo é simples: você acredita em pressentimentos? Como você lida com esses 'toques do além'?  Como a gente desliga o botão do "sofrer com antecedência"?

Um 2014 iluminado a todos. ;)


01 dezembro 2013

Política ou coisa parecida

02/12/13


Pessoal, que saudades. Que saudades da minha vergonha na cara para me dedicar mais ao meu blog. O fato é que penso tanto, que quase todas às vezes penso: “Ó, perigoso até sair um post decente aqui”. No entanto, as ideias vêm e vão e geralmente, quando resolvo tirar um tempinho para escrever, me vejo como estou agora, com aquela sensação de: “O que é que eu queria falar, mesmo??”. Rs. É a idade, é a idade. Mas isso vai ser assunto de outro post.

Tal como Lorde Walder Frey, sempre atrasado, hoje vou falar desse negócio que tem sido muito falado, ou estava sendo, sei lá, os Black Blocs ou coisa parecida.

Na época da Copa das Confederações a coisa ficou preta. Confesso que não tenho mais acompanhado noticiários, mas a bagunça foi tão grande que até eu soube. o.O

A questão é que nas redes sociais, choviam memes dizendo “O gigante acordou” e outras besteiras do tipo. Quando eu vi aquilo ali, não consegui me deixar levar pela onda, não consegui acreditar que alguma coisa iria mudar, e olhe que sou a rainha da utopia.

Fiquei pensativa porque quando eu estava na faculdade, quando houve greve eu fui para as ruas, eu acreditei, sabe? Que gritar, fazer barulho ou coisa do gênero faria diferença. Não foi porque naquela época a gritaria não deu em nada que eu desacreditei e desacredito desses movimentos atuais.
A verdade é que (momento intransigência agora, ram ram) as coisas não irão mudar. Podem gritar, podem depredar patrimônio público e privado, podem prender o Dirceu e pode até ser que neguem a prisão domiciliar do Genoíno, mas nada disso vai mudar enquanto a mentalidade e o comportamento da sociedade não for alterado.
E quando falo de mudança de comportamento não me refiro a sair para ruas e começar a quebrar tudo. Falo de mudança de caráter mesmo, mudança de mentalidade, mudança de comportamento, sabe?
Há aproximadamente um mês atrás fui a trabalho a uma cidadezinha lecionar um curso de um mês de duração. Quando cheguei nesse lugar, me deparei com uma cidade com menos de três mil habitantes e diminuindo a cada dia. Lá não existe comércio, ou turismo, ou qualquer atividade que leve para frente aquele local. A conclusão simples é que em 30 ou 40 anos, aquela cidade irá morrer. Mas eu mencionei essa cidade não por causa da situação econômica dela, nem pelo fato de todo mundo ser parente do prefeito e por qualquer coisinha fora do lugar culpar o tal homem.

Eu mencionei essa cidade porque, lecionando o tal curso, reparei em um comportamento ‘curioso’ por parte de meus alunos. Reparei que todas as vezes que eu chamava a atenção de um aluno, o tal aluno nunca aceitava a minha correção. Ninguém nunca ficava quieto, se envergonhava ou sentia-se mal de alguma forma por estar errado. O comportamento padrão era o seguinte: “Ahh, fulano fez isso ou aquilo e você não disse nada...”. Basicamente.

Isso me fez perceber o quanto, em geral, todo mundo quer ter razão. No momento de receber os louros da vitória, quem não se habilita? Na hora de apontar o dedo e expor o erro alheio, todo mundo quer, não é? (Sem hipocrisia, pessoal). Mas e quando você está errado? E quando quem fez meleca foi você? Você tem peito para admitir o erro? Pense sinceramente ao responder essa pergunta.

Outra: quem possui humildade suficiente para dizer “Eu errei.” atualmente? Ou melhor, quantas pessoas?

O que eu vejo são pessoas que querem ter sempre razão e que, estando erradas, buscam formas de culpar outras pessoas, disfarçar os erros, ou fingir que não saber do que se trata.

Concluí que pessoas assim são tão corruptas e erradas quanto essas outras que insistimos tanto em condenar. Ou seja, farinha do mesmo saco. Percebi que eu não posso mudar o mundo nem você. A única coisa que se encontra ao nosso alcance é mudar o nosso comportamento, mudar a nossa forma de agir e pensar. Se eu desejo honestidade, eu não devo exigir isso das outras pessoas para comigo, devo sim, adotar essa postura de mim para elas.

A partir do momento que a sociedade perceber que todas as mazelas que nos acontecem são apenas reflexo daquilo que somos talvez haja alguma chance de iniciarem-se as mudanças reais.



Pronto, falei.