26 outubro 2010

Onde nasce a mudança

Em primeiro lugar quero pedir desculpas aos meus leitores pela ausência tanto aqui quanto nos seus blogs. No momento gostaria de possuir não apenas tempo, mas disposição para ler cada um de vocês e participar da interação maravilhosa que acontece entre nós. Quem sabe depois que eu formar as coisas voltem ao normal? Vamos ver, não é? :)

Bem, a reflexão de hoje já vem se construindo há algum tempo e alcançou seu ápice sábado (22) depois de assistir o filme Wake – Despertar, o que serviu apenas para confirmar minhas suspeitas.

Quantas vezes você já se sentiu vazio? Como se tudo ao seu redor não fizesse mais sentido? Como se sua vida tivesse se tornado uma grande rotina? Acordar (geralmente cansado), ir para o trabalho sem nenhuma disposição para dar o melhor de si, almoçar apenas porque seu corpo necessita, trabalhar mais, ou quem sabe ainda estudar, se perguntar várias vezes ao dia “O que estou fazendo aqui?” ou possuir pensamentos não necessariamente suicidas, mas do tipo “Minha presença ou minha ausência não fazem diferença no ambiente...”? Será que eu sou a única estranha nesse mundo ou todos alguma vez na vida passam por momentos assim?

A minha teoria é que se o indivíduo ainda não passou por um momento desses ainda vai passar! Mas quem já viveu isso alguma vez sabe que assim como em algum momento começou, em algum momento teve ou terá fim. E o meu momento felizmente se foi e desde então tenho buscado entender quando e como isso aconteceu. Não que existam saudades dessa época, mas são passagens tão sutis que fica difícil determinar onde começa e termina cada etapa.

Analisando a vida de antes e a vida de agora percebo que não mudou muita coisa; a rotina é quase a mesma, os problemas que aparecem geralmente são de mesma origem, as dores de cabeça e as coisas que me fazem rir ou chorar também não se distinguem de antigamente. Então o que mudou? O que me faz sorrir agora e ter mais fé na vida? Ao assistir o filme vi que a mudança não foi algo físico, o mundo ao meu redor não mudou, ninguém que eu conheça ganhou na loteria ou algo realmente extraordinário, mas meu ponto de vista mudou.

E no fim das contas tudo se resume a isso: a maneira como você decide encarar as coisas. Se um dia você amanhece de mau humor e põe pra tocar uma música melancólica, acha mesmo que seu astral irá melhorar? Ficar todo o tempo reclamando da vida, da corrupção no Brasil, da fome, da falta de saneamento básico para mais da metade da população, da violência, da desigualdade, da unha encravada no pé... Isso irá resolver o problema? É claro que não! Muitas vezes para as coisas acontecerem temos que nos mover, entrar em ação, correr atrás do prejuízo, e para outras temos apenas que fazer a escolha de como encarar a situação que se apresenta.

Sei que não é simples assim, que não é fácil sentir-se bem humorado depois de levantar atrasado, chutar o dedão no pé da cama, derramar suco na camisa no café da manhã e ao chegar ao trabalho ser demitido. Porém realmente existem duas opções: a primeira é reclamar da vida e lamentar o quanto se é desafortunado, mas também se pode encarar isso como uma oportunidade de buscar um emprego melhor ou finalmente sair daquele ambiente que só trazia frustração.

Tudo nessa vida tem dois lados, acho que é por isso que ninguém está apto a julgar ninguém, e por isso também que podemos escolher enxergar o lado bom ou ruim de todas as coisas. Geralmente tendemos a supervalorizar os problemas pequenos tornando-os gigantescos a ponto de não termos mais condições de lidar com eles, ou ainda acreditar que existem chaves ou receitas para alcançar a felicidade, estipular metas ou raciocínios do gênero “Só serei feliz se possuir isso...”, ou “Isso me fará feliz.” ou ainda “Ele (a) me fará feliz!”... O que aprendi foi o seguinte: não vai ser um bem material ou uma pessoa ou situação que tornará um indivíduo feliz ou bem sucedido ou vice-versa, mas somente sua maneira de agir (principalmente diante das adversidades ) e de encarar as situações é que definirão o bem estar de espírito ou não. No fim das contas, dictum et factum: “Tú te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”.


08 outubro 2010

Invisível




Não querendo dar uma de pessoa que não tem mais nada a fazer nessa vida a não ser dar conta da vida dos outros, me considero uma pessoa observadora. E ao passar todos os dias pelo mesmo caminho para ir a o trabalho, sempre avistava um rapazinho na entrada de sua casa. Isso sempre me intrigava porque se eu passava no período matutino ele estava na soleira da porta, se eu passava no início da tarde ele continuava lá e passando no fim da tarde isso tornava a se repetir. Fiquei pensando se o menino freqüentava ou não a escola, pois nunca o via de uniforme nem nada, sempre na frente de casa, ora conversando com pessoas, ora apenas observando o movimento. Acontece que um dia desses eu o vi com o uniforme da APAE e  claro, fim de mistério!

Essa situação me fez pensar nesse ato comum a todos nós: a observação. Acho que a todo o momento isso acontece em nossas vidas, não é por mal, é resultado apenas da observação cotidiana e acabamos por conhecer desconhecidos. Eu achava que apenas eu era assim, que apenas eu tinha essa percepção para até definir comportamentos da pessoa observada. Mas acontece que há algum tempo atrás eu me vi no papel do observado. Fui procurar uma manicure com urgência e durante o tempo que estive no salão me surpreendi com a moça indicando a direção da casa onde eu morava há cerca de cinco anos atrás. Ela se lembrava de mim passando na frente de sua casa todas as semanas – período em que eu freqüentava aulas de piano e passava sempre pelo mesmo caminho para chegar à escola de música.

Foi uma sensação diferente, porque estamos acostumados com a nossa “onisciência”, aquilo de observar por observar e simplesmente saber (da vida dos outros). Mas se descobrir como a pessoa observada é bem diferente porque geralmente não nos julgamos como um alvo de observação alheia. Como disse isso não é feito por mal, ou com alguma má intenção, mas é no mínimo desconfortável. 

Isso me levou a imaginar quantas outras pessoas como aquela manicure existem por aí, que tem consciência da minha existência sem ao menos saber meu nome ou endereço e que fazem do meu rosto não “mais um na multidão”.  Isso é perfeitamente possível, tiro por mim que faço coleção de rostos que simplesmente chamaram a atenção e que se qualquer dia eu encontrar pelo caminho provavelmente não irei abordar, mas terei alguma referência na memória.  Não é meio bizarro?  Isso me lembra o “Grande Irmão”, livro de George Orwell que nunca li, mas que descreve uma sociedade onde todos são vigiados e tal...

Essa semana foi bem carregada de pequenos acidentes, machuquei o tornozelo, quase arranco uma unha, sem contar com um prego  que quase perfurou minha cabeça! Isso também foi estímulo para me fazer pensar a respeito dos maus observadores que existem por aí, enviando energias negativas que chegam a tal ponto de afetar nossa vida e nossa segurança. Fiquei a pensar se existe alguém que me odeia, sente inveja ou deseja-me algum mal. Não sei. Até porque se eu fosse outra pessoa, não me daria o trabalho de me desejar mal ou sentir inveja, não há muito que invejar em mim... 

Mas a questão não é essa, se a pessoa observa para o bem ou para o mal e sim sobre o quanto nos julgamos invisíveis para sociedade.  Quero saber de você, o quanto se julga invisível? Que sensações lhe vêm ao imaginar que alguém que você não direciona a mínima importância “te conhece”, lembra de você e você nada sabe desse cidadão?


 

27 setembro 2010

O sentimento de incompletude e a incapacidade de ser feliz

Texto de Luzia Aparecida Falcão Costa.
Encontrei aleatóriamente na internet e decidi postar, vale a pena a reflexão! Aproveitem :)

O ser humano, por sua própria natureza, padece do sentimento de incompletude e, por isso, está sempre envolvido por situações que lhe trazem sensações de insegurança e infelicidade. Essa incompletude, que nada tem a ver com o plano mental ou intelectual, surge como algo quase que imperceptível, um sentimento sutil, mas, que afeta o ser em sua plenitude: na busca de sua auto-realização, da auto-superação e da tão almejada felicidade.

Quantas vezes, no decorrer de toda sua existência, o indivíduo é acometido por aquela estranha sensação de que falta algo para ser feliz e a reação que, normalmente apresenta é a de aguardar que alguma coisa inesperada lhe aconteça, fazendo com que todo o sufoco seja eliminado, para que possa, finalmente, respirar um pouco mais aliviado e continuar vivendo de forma satisfatória.

 A bem da verdade, os resultados obtidos diante de diferentes situações estão diretamente relacionados com a capacidade que cada um tem de conduzir sua própria vida, com a visão e a atitude que apresenta, positiva ou negativa frente a determinada realidade ou aspiração. Por outro lado, está também diretamente ligada à busca incessante de paz, especialmente a interior, porque sem ela, não há paz em nenhum local, nos relacionamentos com outras pessoas, na coragem de enfrentamento das situações adversas que sempre aparecem, inadvertidamente, no decorrer do dia-a-dia. E, infelizmente, o que mais se tem constatado é que o indivíduo tem sido falsamente conduzido a procurar e encontrá-la, fora de si mesmo, seja adotando comportamentos voltados para a alienação (“não conseguiu dar conta? Esqueça, toque prá frente”), de rebeldia e /ou violência (“se não posso tê-la, os demais também não a terão”) que são preponderantes no império do egoísmo que se encontra instalado no mundo atual.

Vale ressaltar que o sentimento de incompletude não é exclusividade e nem inerente apenas aos seres humanos pertencentes à dita sociedade pós-moderna. Ele sempre existiu, mesmo porque, o homem sempre está em busca de algo mais para si mesmo e sua existência e, sem tal procura, a sua existência não teria sentido algum. O que o transformou nesse ser monstruoso, como se tem percebido e presenciado, foi o materialismo exacerbado, que induz o homem a buscar fora de si o que deveria procurar encontrar em seu próprio interior.

Dessa forma, não consegue perceber que, quanto mais tenta encontrá-la fora de si, mais dela se afasta: ela nunca está onde se deseja que esteja, mas, no lugar onde, realmente, deve estar. O que precisa ser entendido, em definitivo, é que a paz não apresenta nenhum tipo de vínculo com nenhum tipo de esquema ou raciocínio lógico, mas está estritamente ligada à conscientização de que, para atingi-la, faz-se necessária a mudança de foco: sair do processo de expectativa e partir para o de reconhecimento e que, sem que essa reversão seja feita, não há qualquer possibilidade de se conseguir qualquer tipo de bem-estar ou satisfação, pois para obter paz é preciso haver entrega, calma, tolerância, positivismo e tranqüilidade com relação tanto aos pensamentos quanto às atitudes.

09 setembro 2010

A primeira paixão


E eis que havia uma carinha nova na sala de aula. Era aluno novato, mas apesar de tudo fez amizades logo e conquistou o coração das meninas da sala. Não sei dizer se era bonito, mas possuía aquele ar de novidade, aquele ar que costuma encantar apenas por isso.
E apensar da precocidade a paixão crescia. Era inconcebível a idéia de dividir aquele sentimento com alguém, afinal meninas de sete anos não devem sentir isso, e no mais, a melhor amiga estava claramente interessada no rapazinho. E assim foi por um tempo, via as coisas acontecerem, o tempo passar e o segredo intacto, pois não podia confiar em ninguém.
Mas um dia algo deu errado. A amiginha descobriu e como se não bastasse espalhar a novidade para todas as coleguinhas, como castigo maior, ela tinha que contar para o mocinho. Ahh, quanta vergonha ela sentiu naquele momento. Tanta, tanta, que só o banheiro para socorrê-la naquele momento. Só o banheiro lhe daria privacidade e o tempo que quisesse para ficar ali, apenas a chorar.
Mas ela não podia ficar lá pra sempre. A vida continuava e era preciso encarar as pessoas novamente, por mais que lhe doesse, por mais que se sentisse envergonhada e traída. Dias depois sua ‘melhor amiga’ começou a namorar o mocinho – aquele namoro dos sete anos, ou seja, ficar de mãos dadas!
E ela assistiu àquilo. E entendeu que não podia fazer nada, a não ser, no seu papel de melhor e fiel amiga torcer pela felicidade do casal. Afinal, pensava ela, certas coisas não lhe cabiam, algumas coisas ela não merecia, não era digna ou algo assim. Aceitou pacificamente, parvamente e essa foi a história de sua primeira paixão, uma história que ela jamais se imaginou contando a ninguém!!!
***
 Engraçado... Esses dias eu estava me lembrando desse momento em minha vida, precoce como tudo o mais. Hoje é fácil rir de tudo; é simples dizer: “era apenas uma criança”, mas algumas vezes me pego pensando se isso não influenciou a maneira como trato as questões do coração depois de adulta.
Agora que essa história não passa de mais uma página de minha vida, fico a pensar em quantas outras historinhas vivemos e no momento ficamos apavorados, imaginando que tal situação nunca irá passar. É interessante, que por mais indesejável que sejam momentos assim, sempre saímos com alguma lição.
Eu contei uma história. E você, por que tipos de situações (embaraçosas) já passou e quais lições tirou de tudo isso?

16 agosto 2010

Um post mal humorado




Se 2009 foi um ano de lamentações, de muito chorar e amolar as pessoas à minha volta com minhas angústias, 2010 tem sido um ano não apenas de renovação, mas também de repensar toda minha vida. Dia desses fui à pizzaria cuja dona me viu nascer e que tem um filho de mesma idade, inteligentíssimo por sinal e faz alguma engenharia na USP.
Então ela me disse: “Vivi, você quando se formar deve ir embora daqui como o meu filho fez. Vá fazer uma pós (graduação) ou um mestrado na mesma faculdade que ele, eu sei que se você estudar muito você consegue. Ficar aqui não te levará pra frente. As pessoas não dão o valor necessário à sua profissão aqui...”.
Claro que dei razão a ela, tudo o que ela me disse é bastante óbvio pra alguém que busca realização profissional e financeira e etc. Mas acho que de fato não me importo tanto assim com isso, e para explicar o porquê darei outro exemplo.
Numa outra ocasião, estava eu e minha mãe a conversar e ela começou a comentar de uma moça que fez – imagine só – a Alfabetização comigo! Ela aos 14 ou 15 anos se não me engano, envolveu-se com um homem mais velho e largou os estudos, se rebelou contra os pais (toda aquela novela mexicana) até conseguir se casar com ele. E ela finalizou dizendo: “Coitadinha, ela acabou com a vida dela!”, disse isso com certo orgulho provavelmente com aquela sensação de minha-filha-é-exatamente-o-oposto.
Mais uma vez por conveniência concordei. Porém cada vez mais tenho discordado das pessoas que partilham dessa opinião. De um tempo pra cá, para a maioria das pessoas é isso que basicamente tem importado. Dinheiro, dinheiro, mate-se de tanto trabalhar, dê adeus à sua vida estudando como um louco; acabe com a sua saúde física e mental, tenha uma estafa, deixe de lado a vida ao ar livre, crie raízes na frente do computador, deixe de estar ao lado de quem você ama, torne-se um sedentário, vire anti-social, viva para estudar e passar num concurso federal, pois só assim você poderá fazer de conta que trabalha ganhando uma boa grana no fim do mês, e por aí vai.
Todos têm apostado suas fichas nisso: riqueza, mas me questiono se todo o esforço vale à pena. Eu não quero ser rica, eu não nunca fui; não preciso disso. Tudo tem girado em torno de tal e que benefício temos tido em troca? O aumento dos casos de doenças psicológicas como o estresse e a depressão? E o que falar do número crescente de pessoas que sofrem infartos, AVCs, distúrbios e etc?
O duro é que esta postura tem se instalado na mente das pessoas, estão esquecendo-se do essencial. É só olhar para o passado, há tempos atrás não tínhamos metade das facilidades de hoje, mas as pessoas tinham uma qualidade de vida muito melhor, não morriam de fome, não precisavam viver em função do trabalho para ter alguns momentos de lazer, sabiam dar valor as coisas simples.
Atualmente isso é que tem me importado. Tenho percebido que os momentos mais felizes da minha vida são aqueles não planejados, aqueles em que não preciso de dinheiro ou um livro debaixo do braço pra estudar.  Sim, correr atrás de um futuro melhor é importante, é necessário. Mas acredito que não devemos abrir mão desses momentos tão preciosos que a vida nos proporciona de graça. E também acho que não há uma receita. Cada um tem que correr atrás daquilo que acredita e não devemos diminuir isso.
Aquela moça que minha mãe chamou de coitada, eu não tenho essa opinião sobre ela. Quando ouço histórias desse tipo procuro ver a pessoa corajosa que existe ali, que não deu ouvidos ao que os outros achavam ser o melhor para ela. Ela seguiu seus instintos, seu coração e hoje em dia são pouquíssimas as pessoas que assumem esse risco, ir atrás do que se quer realmente sem se deixar amedrontar pelos riscos que esse caminho traz.
Na realidade, qualquer caminho escolhido acarreta riscos, mas hoje há essa tendência de diminuir os sentimentos alheios, de colocar o dinheiro, a vida profissional e acadêmica na frente da felicidade pessoal. As pessoas tem se esquecido de que quando estamos satisfeitos conosco, ou com situações à nossa volta temos mais ânimo pra trabalhar, estudar, enfim... E o resultado é muito melhor.
Isso é que tenho me proposto atualmente. E sugiro cada um fazer o mesmo (uma auto-avaliação), verificar o que realmente importa para você, e não o que terceiros dizem ser o melhor. É claro que não estamos sozinhos nesse mundo, não somos auto-suficientes e precisamos sim ouvir opiniões, sugestões, mas no final das contas a Vida é sua e só você é responsável por ela, só você é quem irá vivê-la. Pense nisso, pense nas sementes que tem plantado hoje. Veja se essas sementes lhe trarão frutos satisfatórios ou não. Porque chegará o dia em que não será possível fazer mais nada, apenas contemplar todas as escolhas feitas, seja elas certas ou erradas.  





                                                                                                           

31 julho 2010

Devaneios :p



Eu vivi minha adolescência numa época que os livros de auto-ajuda estavam em alta - não sei se ainda continuam, mas parei de me importar com isso. E embora de acordo com a Wikipédia  o livro tenha sido publicado no Brasil em 1995, quinze anos atrás, até hoje se fala do livro "Homens são de Marte, Mulheres são de Vênus".

Confesso que até comecei a ler o tal livro pra entender um pouco e não falar muita besteira aqui. Até agora deu pra perceber que é um grande livro de receitas, isso serve, aquilo não serve. Não faz meu gênero, mas nunca devemos recusar conhecimento, não é verdade? Mas o porquê dessa introdução? Bem, o que me trouxe até esse post foram os comentários masculinos da última postagem (Nunca soube se chapinha prestava..).

Foi interessante o Daniel Hiver do Pelo caminho dos plátanos...  usar as minhas palavras para responder a questão proposta pelo post:  "larga de ser trouxa mulher e fica contente com o que tens e com quem tu és", principalmente pelo peso que essas palavras criaram pra mim. E a vassoura de piaçava do Marcos Satoru Kawanami do blog Memórias da Lira Velha também não foi menos impactante!!

Então parei pra pensar na distância que existe entre os pensamentos masculinos e femininos. Tudo bem, é até meio bobo porque essa discussão não é de hoje, mas não deixa de ser intrigante tudo isso. É claro que cada um tem suas próprias percepções, gostos, mas tem que haver algum padrão, algo que diferencia e caracteriza esses dois mundos.

Falando sobre mulheres, é inegável a influência da indústria da beleza, e também está claro que elas - muitas vezes - não se arrumam para impressionar os homens ou para se “sentir bem” e sim para as outras mulheres. Eu saio pouco, mas em todas as raras vezes que isso acontece sempre fica no ar aquele clima de competição entre elas. Qual mulher nunca se sentiu linda ao se olhar no espelho antes de sair e ao chegar ao local de destino não viu seu balão da auto-estima aos poucos ir murchando com cada uma que passava com a blusa mais bonita, a sandália mais legal, o cabelo perfeito ou a maquiagem impecável? Será que existe isso no mundo masculino?

Acho que podemos dividir as mulheres em duas "espécies", aquelas que se Acham de verdade (pouco importando se isso condiz com a realidade ou não) e aquelas que Tentam se achar, mas geralmente conseguem apenas se colocar pra baixo e uma vez aqui ou acolá se sentirem confiantes de si.

Beleza, eu juro que estou tentando me desligar do que os outros pensam, mas velhos hábitos não vão embora da noite para o dia, e depois daqueles comentários eu fiquei realmente pensativa e curiosa sobre. Porque enquanto estamos nessa luta incessante contra o que somos, contra as outras, como eles vêem tudo isso? Alguns dizem que é besteira, que muitas vezes vale o conteúdo e blá blá blá, mas sabemos que não é bem assim, não é?

Entrevistando um desafortunado amigo no MSN a respeito disso, ele me disse: “Geralmente a mulher está: linda ou feia, cheirosa ou fedida, legal ou chata, triste ou alegre, ou sabe conversar ou não sabe.”. Claro que isso não resolve o problema, e nem sei dizer se chega a ser esclarecedor, mas o que fica evidente é a distância das percepções.  Pelo visto eles enxergam apenas se ela é/está feia ou linda, mas não toda a complexidade por trás disso, o trabalho que dá tentar ser bonita e tudo mais.

Se eu fosse um pouco mais ignorante, poderia parar por aqui e dar o assunto por encerrado e dizer que se trata apenas disso (8 ou 80 pra eles), mas sabemos que não é. As pessoas dizem “Seja feliz!”, “Aceite...”, “A Vida é muito mais que isso ou aquilo”, mas não nos desprendemos fácil de conceitos anteriores a nós. E arrisco dizer que é hipocrisia alguém chegar e dizer que nada disso os afeta e que ela (pessoa) está acima disso. Acredito sim que existam pessoas mais bem resolvidas do que outras, mas nunca uma que não se sinta diminuído de alguma forma por causa do problema de vista alheio.

Quando digo problema de vista, é no sentido de querer transmitir algo e a mensagem chegar ao destino de maneira diferente da que gostaríamos. Agora percebo que meu raciocínio não vai dar em nada, e um trecho que explica o porquê encontrei no já citado livro do início do post. Ele diz:

“Os homens esperam, equivocadamente, que as mulheres pensem, se comuniquem e reajam da maneira que os homens o fazem; as mulheres erroneamente esperam que os homens sintam, se comuniquem e respondam da maneira que as mulheres o fazem. Nós nos esquecemos de que homens e mulheres devem ser diferentes.”

Pronto. Matou a charada. E eu continuo sem minhas respostas – apesar de não ter conseguido formular A Pergunta. Parece-me mais um caso perdido, ou seja, “Não gaste seu tempo com isso, pois não vai dar em nada..!”. Quer saber? Vou ler o livro, quem sabe ajude...

E para você, isso faz algum sentido?                      

26 julho 2010

Nunca soube se chapinha prestava...

Hoje me apoderei da expressão característica de um blog que A-D-O-R-O, o Nunca Soube se Prestava. Quem nunca passou por lá não perca essa oportunidade, é um blog realmente bacana (e Presta). Mas o que houve é que não pude pensar em expressão melhor pra definir o raciocínio que vem a seguir.

Eu sei. Eu sei que no resto do Brasil estamos no inverno e tudo mais, muita chuva, pessoas desabrigadas, frio, frio, talvez um pouco de neve em São Joaquim, mas aqui, no Norte do Brasil, é verão, siim!! Nesta época aqui no meu estado (TO), as pessoas costumam migrar para as praias – de água doce, é claro – e um fator que facilita bastante tudo isso é que as férias escolares acontecem no mês de julho. Eu não sei dizer a respeito do restante do país, mas tenho conhecimento que em algumas regiões nesta época existe apenas um recesso, e não férias totais como aqui.

Pois bem, mas vamos ao assunto. Quando eu era criança, poderia muito bem ser carinhosamente apelidada de “pata” porque era daquelas meninas que nos acampamentos beira rio era a primeira a entrar n’água e uma das últimas a sair. Pouco importava se às 7:30 ou 8:00 da manhã a água estivesse “congelante”, valia mesmo era poder ficar ali de molho o maior tempo possível. Nesse período ainda não éramos escravas da beleza e não havia aquela aflição para se ter cabelos lisos, brilhosos e esvoaçantes sempre. A situação era precária, ainda mais para pessoas que, como eu foram abençoadas com os cabelos difíceis - para não dizer crespos!

Este final de semana dei um pulinho na praia, coisa que já não fazia há algum tempo – anos, pra ser mais exata. E com a chegada da maturidade, a idéia de ficar o dia todo no dentro da água fazendo curso pra camarão não parece mais uma idéia tão agradável como antes, né? E como eu disse, já fazia algum tempo, então fui na onda das Primas mais atualizadas. Depois de quase morrer de remorso ao gastar mais de R$70,00 numa saída de banho lá fui eu para a simpática praia do Rio Sono. Chegando lá, eis que vem a preocupação: E o meu cabelo??

Neste momento, acho que visualizei uma das novas aflições da mulher brasileira, sim, aquela brasileira que não tem o corpo das propagandas de cerveja, nem os cabelos da propaganda de shampoo: A dúvida começa a tomar de conta, de repente você se percebe pensando no trabalho que deu pra passar a chapinha e no quanto foi caro o seu biquíni, sua saída de banho e toda a viagem para estar ali. Então vem a dúvida cruel: entrar ou não entrar no rio. Estrear o biquíni novo que só Deus sabe quando você usará novamente e mandar os cabelos lisos e esvoaçantes literalmente por água abaixo ou abrir mão de toda a “coisa” da praia pra simplesmente manter a “pose” ou o “charme” e sair bem nas fotos que irão pro Orkut?

Para os que preferem o meio termo, você pode como eu fiz, tomar banho sem mergulhar -cabelos devidamente presos - e assim também acabar com todo o barato que estar numa praia te proporciona! =D Não é uma coisa ingrata? Caramba, manter pelo menos os cabelos legais não é barato e exige sacrifícios não apenas financeiros. Então fiquei pensando até que ponto ainda chegaremos pra ficar bem na foto. Será que podemos culpar a mídia por mostrar nas propagandas mulheres com cabelos que todas pediram a Deus ou a Sta. ou Sra. Erica Feldman que de acordo com a Wikipédia no século XIX já pensava em amansar as madeixas com coisas quentes? Ou será mesmo que devemos é largar de ser trouxas e ficar contentes com o que temos e com quem somos??? O que sei é que este problema começou com uma chapinha... A questão é: onde iremos parar assim?

25 julho 2010

Dictum et Factum

(Dito e Feito). Não costumo usar muito essa expressão, mas ela sempre anda comigo e sempre aparece em momentos oportunos. E hoje cai como uma luva. Eis que chegou o momento das constatações. Sabe quando você "tem certeza" sobre algo e só precisa da confirmação? Refiro-me a situações como ao andar sobre um meio fio e sua mãe dizer: "Desce senão você cairá" e ao desobedecer você cai? Digo, não a respeito do que mãe diz geralmente se cumprir, mas sobre aquelas coisas que por mais que sejamos avisados, só damos como certos após termos provado.

É interessante como em determinado momento de nossas vidas isso passa a fazer mais sentido do que nunca. Não adianta apenas saber, ter consciência do funcionamento de uma coisa ou outra, não há nada como o experimentar a situação! Quem nunca ficou magoado com uma situação ou com alguém e ficou com a sensação de que aquela dor, frustração, ou seja, qual for sentimento ruim nunca fosse passar? É claro que no fundo você sabe/sabia que é tudo uma questão de tempo. Maas, ainda assim esse pensamento racional não bloqueia as sensações depressivas que lhe tomam conta - até isso de fato acontecer.

E o que falar das más companhias? Todos te avisavam, e você até conhece o risco daquilo acontecer, mas só acredita quando mesmo quando essas companhias ferram você. E por aí vai, são centenas de exemplos, términos de relacionamentos, dores musculares (sabe quando você exagera nos exercícios e no dia seguinte não consegue nem andar direito??) e até mesmo sexo, todos dizem que é bom, mas você só vai acreditar quando passar a praticá-lo.

Que é dito e feito quando as suspeitas se realizam não é novidade, mas a grande questão é: por que temos essa mania de São Tomé (tipo "só acredito vendo")? Por que algumas coisas só tem sentido depois de vividas? Por que prática é melhor que teoria?