Sobre o Grande Iceberg das Escolhas e Descobertas da Vida


Esses dias estive a pensar no caminho que fiz para chegar até aqui. As várias situações por que passei, as inúmeras vezes que mudei de opinião, de todas as vezes que julguei minhas verdades como absolutas, claras como cristal para, num virar de ano, meses ou dias, mais uma vez mudar de opinião. Para mim está claro que cada um desses rompantes contribuiu para o que me tornei e os rompantes que virão ainda me levarão por caminhos que agora desconheço, mas que mais dia ou menos dia me tornarei tão íntima quanto já sou dos dias passados.

E pensando mais afundo nessa volubilidade natural, cheguei a uma conclusão...: o nosso Sistema de Ensino TÁ ERRADO! Siim, esse negócio de estudar uma vida inteira (entenda-se ensino fundamental e médio), pra depois em um ano - o último ano da escola - decidir assim, sem mais nem menos o que será - pelo menos teoricamente - a sua profissão pelo resto de sua vida está sendo feito de maneira errada.

Quando eu tinha uns quatro ou cinco anos (deve ter sido nessa época), eu me lembro que eu queria ser professora. Sempre fez parte dos meus brinquedos aquele quadro verde e várias caixas de giz colorido. Eu me recordo dos meus ursinhos espalhados pelo chão, cada um com um livro ou caderno em sua frente e eu, claro, comandando o quadro verde - eu nunca vi um quadro negro, você já?

Eu me lembro também do meu pai, professor por profissão reclamando do que fazia e dizendo a mim esperançoso: " Que você não seja professora..." ou coisa do tipo. Lembro-me também que lá pela 2ª ou 3ª série eu gostava de desenhar casas na última folha do caderno, e então, depois de desenhada a casa,  a árvore a seu lado, a cerquinha e a grama, eu virava a folha ao contrário, e utilizando os contornos da casa, eu começava a desenhar o interior dela. Quando viram isso, me disseram que eu seria arquiteta!

Na quarta série, o fascínio mudou. Ao invés de casa, passei a desenhar vestidos! Vestidos e mais vestidos... Dizia eu que aquela seria minha coleção... Que coisa, rsrsrs. No ano seguinte comecei a ler, e me lembro como se fosse ontem quando li "Os vinte e um balões" de William Pène du Bois, o "maior livro - em quantidade de páginas - que já li em toda minha vida", pensei eu, Cento e Cinquenta e Uma páginas...! Quando, eu me perguntava, quando eu seria capaz de ler tantas páginas assim? É claro que vieram quantidades maiores que isso depois, mas isso ficou marcado como o primeiro Grande livro que li... Depois disso desabrochou o gosto pela leitura e posteriormente, pela escrita. 

Eu possuí um livro censurado por mim mesma, chamado "O diário", que ao definir que nunca o publicaria joguei fora, e tenho um que escrevi e mostrei para alguns amigos quando terminei. Meus leitores mais ávidos - uma ou duas pessoas - ainda esperam a continuação do meu best-seller que prometi ser uma trilogia. A boa notícia é que tenho em mente o que acontecerá nos dois últimos volumes, mas não estou com pressa em escrever. ;)

Além de tudo isso houve a música, que me acompanha desde os onze anos de idade, e houve os computadores na época da faculdade. Nossa relação é estranha (com os computadores), as vezes eu os amo, mas as vezes os odeio do fundo do meu ser; e odeio mais ainda as cobranças que me faço a seu respeito aqui e acolá.

Todo esse relato (que provavelmente não vem ao acaso) quer mostrar que todos nós temos várias facetas. Que num só corpo somos vários ao mesmo tempo, e que decidir quem nós seremos por boa parte de nossas vidas apenas por causa de um nome chamado Vestibular é muita falta de consideração de nós mesmos.

Esses dias, eu que fui tão caxias no tempo da escola, que acreditava que deveria ingressar numa faculdade  a todo custo quando terminasse o ensino médio, que acreditava que quanto mais nova melhor, que isso era sinal de inteligência, percebi que estava errada. Que não devia ter feito isso, ou melhor, que deveria possuir a cabeça que tenho hoje - depois de formada e de ter praticamente 23 anos nas costas - para começar a tomar qualquer decisão considerada importante para o futuro de minha  vida.

E mesmo depois dessa idade e dessa suposta experiência, sei que ainda serei capaz de muitas burradas pela frente, muitos tropeços e pontos de vista errados pra começar a acertar alguma coisa. O peso que a sociedade tem depositado nos jovens a meu ver é alto demais. Aos 17 ainda somos crianças, ainda estamos a descobrir apenas uma pequena ponta desse Grande Iceberg das Escolhas e Descobertas da Vida. E tomar uma decisão dessa magnitude de forma precipitada, pode não ser o melhor negócio que fazemos.

Existe tanto a ser visto, vivido e concluído. Existe tanto que se aprender e não apenas numa sala de aula, existem tantas coisas que precisamos descobrir - por nós mesmos, e não pelo que diz no Google -, existe tanto a viver... Eu não sei se disse asneira demais pra um post só, mas acho que consegui chegar onde queria (depois de várias tentativas infrutíferas de escrita), que é isso: antes de saber o que queremos "ser", precisamos saber - a fundo - o que já somos e o que é importante para nós. 

Aparentemente algumas pessoas nasceram com o dom de saber desde cedo o que querem/queriam fazer da vida delas. Parabéns! Cada um possui a vida que lhe foi dada e lhe cabe fazer dela o melhor possível. Mas existem pessoas cuja realidade não parece ser tão simples assim, elas precisam de tempo, elas precisam de espaço. Está certo que ninguém é obrigado a fazer vestibular quando terminam a escola, mas a maioria acha que sim; e é isso o que me preocupa. É essa idéia de caminho perfeito que me desagrada, porque.... não existem caminhos perfeitos. 

O que vejo hoje é o seguinte: um monte de colegas, amigos, conhecidos, ou amigo do amigo do amigo que terminou a faculdade mais perdido do que entrou. Gente que achou que o curso superior era a solução dos problemas, mas que acabou descobrindo que isso é só o começo do “problema”. Gente como eu, que acha que ter dado um tempo para se conhecer melhor antes de tomar uma decisão dessas teria sido a melhor escolha...


Falei, e falei demais. Agora eu queria ouvir vocês. O que acham de tudo isso? Você que fez faculdade, que se formou e que já atua ou não, o que acha de tudo isso? E você que já está na faculdade, ou que está pelejando para entrar nela, qual sua opinião?  E você que já passou por tudo isso e ri de mim com minhas infantis preocupações, o que me diz?

Espero feedback!

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  Vingança 
Felipe Basso


De quem você foge, amanhã irá procurar.
Quem você julga, amanhã irá julgar.
Quem você odeia, com certeza irá amar.
Se hoje me chama de louco,
Amanhã me seguirá.

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