Música e Legumes

Existem algums momentos de nossa vida que percebemos que simplesmente para alcançar algo devemos ou abdicar certas coisas ou aderir à outras que não nos agradam. Estou sentindo isso quanto aos legumes.... Maaas o texto de hoje é sobre outra coisa!



A profissão de professor de música muitas vezes parece demasiada repetitiva, é preciso uma dose a mais de paciência. Certa vez quando necessitei fazer terapia eu disse à psicóloga o que cada nova peça (música, partitura, canção) significava para mim. Fiz analogia com os desafios que enfrentamos durante a vida.

Uma música nova significa um mistério a ser desvendado, algo que exigirá de nós muita disciplina por algum tempo. No início vem a fase do reconhecimento das notas, período às vezes árduo até a "memória" ficar na ponta dos dedos. Depois aprender a respeitar os tempos e pausas, e por fim a repetição até a exaustão para que se alcançe a perfeição.

Assim também acontece nas nossas vidas, somos incumbidos de resolver certos assuntos mas para isso temos de conhecê-los, interpretá-los. Diversas vezes queremos abandonar o barco, diversas vezes o esforço parece sem sentido. Mas quando chegamos ao fim do estudo, quando tudo se torna fácil, vem o alívio e a sensação de vitória. O bom sentimento de perceber que somos capazes e que mesmo diante das dificuldades não desistimos; aos trancos e barrancos seguimos em frente.

As coisas aprendidas ali, de certo ficarão conosco para sempre; mas então devemos finalizar o projeto, neste caso a peça musical e passar a aprender uma nova música. Então o trabalho recomeça, assim como Sísifo ao empurrar sua pedra montanha acima.

O fato de termos conseguido uma vez não quer dizer que tornará o próximo desafio mais fácil; cada situação é única. Com o tempo passamos apenas a perceber que assim são todas as coisas importantes na vida. Para se chegar ao destino devemos primeiro percorrer o caminho e para ser bem sucedido, apenas através do trabalho.

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Missa, Gil, e outras coisas estranhas...

Hoje é domingo e como o costume (que não tenho seguido ao pé da letra ultimamente) fui  à missa.  Muita gente diz que lugares assim estão cheios de hipocrisia, que é chato e isso e aquilo.  Eu tenho um amigo que é deísta, que no passado já foi Católico praticante porém hoje não é mais. Achei interessante a filosofia e não discordo do que ela propõe, da mesma forma que sigo a religião Católica mesmo não concordando com algumas coisas. Mas eu falei isso aqui, só pra expor um pensamento que tive não só hoje, mas em alguns outros domingos aí... 

Muitas vezes tornamos esses atos tão banais que esquecemos de observar que maravilha que é aquele momento, quer dizer, mesmo tirando os hipócritas e aqueles que não estão nem aí mesmo, quantas pessoas vão ali em busca de paz de espírito e com o objetivo de adorar o mesmo Deus. É lindo isso! É maravilhoso ver que sentimentos assim são partilhados por muitos, e que ainda existem boas pessoas e tal. =D

*** 

"Não é Natal
Nem ano bom
Nem um sinal no céu
Nenhum armagedom
Nenhuma data especial
Nenhum ET brincando aqui
No meu quintal
Nada de mais
Nada de mal
Ninguém comigo
Além da solidão
Nem mesmo um verso original
Pra te dizer
E começar uma canção"

É nesse clima de Gilberto Gil que tenho passado os dias e a minha animação para blogar! Não aconteceu nada de espetacular, nem algo simples que me fizesse chegar à alguma grande reflexão. A única coisa assim relevante, é que, graças a Deus existe o Blogger,  porque final de semana estudando modelos de CMS, e mesmo nos "mais fáceis" você ver ainda dificuldades é de entristecer..
Ainda bem que o J. me ajudou um pouco, se não fosse ele,   eu ainda estaria no zero. () :)

***

E pra encerrar o fim de semana, enquanto escrevia este (terrível) post, me chamam para ver na TV isso daqui: 

Agora me digam, isso é o fim do mundo ou não é?

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Há muito tempo atrás, lá pelas décadas de vinte e trita nasciam um homem e uma mulher de pais e mães distintos, mas que por coincidência ou não foram adotados por uma mesma família. Existe relatos que o pai adotivo deles era um homem amoroso para com os filhos, mas a "mãe" adotiva nutria grande antipatia pelos dois irmãos por destino. E como maneira de se livrar mais rápido daquelas duas pessoas, decidiu obrigá-los a se casarem.

E foi assim que meus avós viraram meus avós. Mesmo casados obrigados aqueles dois aprenderam a se amar - aqui são meras conclusões de uma neta porque nunca tive espaço para tratar desses assuntos com eles; da única vez que tentei perguntar algo para minha avó ela disse que simplesmente não gostava de lembrar o passado por ter sido tudo muito doloroso. Mas continuando a história, eles tiveram doze filhos. Duas delas morreram ainda crianças, os outros dez são vivos até hoje.

Minha mãe sempre conta as histórias da época de quando era criança, de como os irmãos moravam na cidade para estudar e que quando era época de colheita todos iam para o campo ajudar na colheita. Conta também de como sustentabilidade não era algo tão impossível ou improvável como é hoje, além de  - essa não podia faltar no discurso de qualquer mãe - falar que aquela foi/era a melhor época de se viver; como tudo era mais seguro, podia-se ficar até tarde nas ruas que não havia perigo , nem de marginais nem de drogas como hoje.

Contou-me também de como minha avó sofreu quando entrou na menopausa... Ela tinha uns ataques de loucura muito fortes e que certo dia, meu avô que era funcionário do governo foi até a cidade marcar uma consulta para ela em Goiânia - nesse tempo essa parte do Tocantins ainda era Goiás - só que no caminho de ida, ele e sua bicicletinha foram atropelados e ele quebrou as duas pernas, e no fim das contas quem teve de ser hospitalizado foi ele,  e não a minha avó.

Relatou desses tempos difíceis, que todos os médicos disseram que meu avô sempre tão ativo não voltaria mais a andar. E também não escondeu de mim o fato de que minha avó no auge do desespero premeditou o assassinato do meu avô e o próprio suicídio tomando todos os seus remédios de tarja preta para ter coragem suficiente de fazê-lo. Nesse dia minha mãe era a filha mais velha a estar em casa e foi ela quem impediu tudo isso de acontecer.  

Tempos depois dessa época, minha mãe e toda a sua família mudaram-se para a cidade que muitos anos depois eu iria nascer. E foi nessa cidade que - nesse período meus avós passaram a administrar uma espécie de hotel - certa vez um médico se hospedou onde minha mãe e sua família moravam e ao ver meu avô inválido disse que ele o faria voltar a andar, e o fez!

Depois disso por muito tempo meu avô andou - de pé e de bicicleta pra baixo e pra cima -, ajudou a construir a casa dos meus pais - nesse tempo eu já havia nascido - e finalmente tempos de bonança vieram, pena que eu não me lembre muito dessa época. Há nove anos atrás meu avô e minha avó completaram cinquenta anos de casado! E os pombinhos são base e exemplo pra toda a nossa família.
Todos devem imaginar que não são o casal perfeito, e não são mesmo, mas aprenderam com as adversidades a aceitar um ao outro com suas diferenças e defeitos.

Minha avó é daquelas avós clássicas, amorosa, ponderada, Generosa, rs, se ela ganha uma dúzia de ovos ela não sossega enquanto não dividi-los com seus filhos. Se você chega à sua casa em qualquer hora ela sempre tem algo a lhe oferecer, seja um cafezinho ou belo almoço. E além de tudo isso, tem uma fibra invejável. Foi com essa força de espírito que vi minha avó permanecer firme sem derramar uma lágrima sequer enquanto meus tios beiravam o desespero quando meu avô infartou há cinco anos atrás.

E ele, como ele é/foi forte! Com mais de oitenta anos meu avozinho se recuperou muito bem da cirurgia do coração e está aí firme e forte. Hoje em dia acho que uma das coisas que mais o preocupam mesmo é a saúde de minha avó; ela sofreu uns dois ou três derrames depois do infarto dele, mas ela também é muito forte.

Ano que vem, se Deus quiser haverá festa de novo, afinal serão sessenta anos de casados, bodas de diamante!! Só pra se ter uma idéia do que é isso, é só perguntar pras pessoas à sua volta quantas tem um parente com mais de cinquenta anos de casados, principalmente nos dias de hoje, tempos em que relacionamentos de um mês são eternidade.

Venho através deste dividir um pouco do orgulho que tenho de fazer parte da família dessas pessoas tão maravilhosas, e de quebra ainda ser amada por eles! =D
É uma de minhas maiores felicidades. Já tinha um tempo que queria postar algo sobre a história deles dois, pois sempre me inspira e me dá a certeza de que as dificuldades vem e vão, mas por mais sofrido que tudo isso seja, nos fazem crescer.

Haha, e o motivo maior que me fez escrever isso Hoje, não foi nenhuma data em especial, não é aniversário de ninguém nem nada, eu só estava na lotérica pagando umas contas quando vi uma senhorinha toda desajeitada colocando créditos no celular. E então (como sempre), fiquei pensando em como será minha/nossa velhice.

Definitivamente os tempos mudaram  e estamos bem no meio dessa transição toda. Eu conheci os quitutes da vovó e meus filhos provavelmente também viverão isso, maas, e os meus netos? E os seus netos??!! Será que o pimpolho ao invés de dizer pros amigos: "Minha avó faz uns doces muito gostosos." dirá: "Minha avó faz uns joguinhos de computador muito bons!"??? Se formos analizar isso com a mentalidade que temos hoje, acredito que isso soa ainda um pouco estranho, mas quem sabe daqui a dez, vinte ou trinta anos? :)
E você aí do outro lado, tem um vovô ou uma vovó chuchu beleza?^^ E já parou alguma hora pra pensar em quando você estiver na posição de avô ou de avó e não mais de neto(a)?
Beijos de feriado a todos!


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Eu e meus devaneios...



Hoje dando aula, minha aluna que tem mania de me tratar como uma criancinha apertou minhas bochechas e disse com aquela voz que fazemos quando falamos com bebês:

__Hummm!!(apertando as bochechas), parece uma mocinhaaa! (rsrs)
Então eu disse à ela:
__Mas eu sou uma mocinha....
Ela então fingindo espanto e olhando bem em meus olhos disse:
__Nããão Tia, você não é uma mocinha... Você é uma Mulher.

Conclusões alcançadas com o fato:
As fases de nossa vida passam de maneira sutil, nos lembramos de nossa infância, adolescência, juventude, fase adulta e tudo o mais. Porém não conseguimos encontrar o ponto de passagem de uma fase pra outra. As coisas simplesmente se desenrolam dessa maneria, quando percebemos aquela outra fase já é passado.

Mas vez ou outra você se depara com algo como essa história que acabei de contar; nos damos conta de que estamos no meio desse processo de transição. Somos inundados por um excitação diante do que está por vir, mas junto também vem o Medo, esse companheiro que nunca me larga.

Mais uma fase da vida, correto? Mas diga-me, você já passou por momentos assim, houve algo marcante nesse momento de transição, independende de que fase foi?

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Quem aqui nunca passou raiva com os serviços de atendimento ao consumidor pelo telefone?
Aiiii! Toda vez que tenho que fazer uma ligação dessas tenho que preparar o espírito com uns dois dias de antecedência.

Daí eu fiquei pensando em como entrar numa roubada é fácil, eles te dão mil e uma facilidades (seja empresas de telefonia ou bancos ou operadora de cartão de crédito ou de empréstimos de qualquer natureza). Cheguei à conclusão que esse povo quer mesmo é que a gente "se ferre", eles querem é que devamos à eles, porque assim ganham mais por causa dos juros. É triste às vezes olhar pra trás e perceber o quanto fomos babacas - pelo menos eu sou assim, total!!

Tô dizendo isso,  - voltando ao serviço de atendimento ao consumidor pelo telefone - porque é incrível como esse pessoal dá nó em pingo d'água, como eles conseguem complicar coisas simples! Eu tinha um plano no celular que era ótimo e tals, mas num belo dia vi que não era mais necessário. Lá vou eu tentar cancelá-lo, mas pra quê????!!! Pro bem do meu coração seria mais simples continuar pagando a franquia!!!

É por causa de coisas desse tipo que estou adotando uma postura mais maluca com outras.Por exemplo, meu projeto de conclusão de curso, meu orientador vai ser o professor mais ..... (faltam-me palavras, mas posso garantir que 'legal' não caberia aqui). Mas o raciocínio foi simples: "se não pode com o inimigo, junte-se a ele"! Da mesma forma todos esses serviços lindos e maravilhosos que nos oferecem todo dia na TV, no rádio, nos e-mails, na rua, na chuva, na fazenda ou até mesmo, pasmem, na casinha de sapê... Se não quiser dor de cabeça no futuro, melhor nem aderir...

Peço desculpas pela falta de inspiração e pela impaciência, afinal tem dias que só queremos sumir, não é mesmo? E só pra constar,  citaçãozinha da letra de "Na rua, Na Chuva, Na Fazenda", interpretada pelo Kid Abelha e cuja composição pertence ao sr. Hyldon, e  que num outro dia melhor do que esse vou procurar saber quem é.

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