Conclusões sobre 2012


Você sabe o que é Ano Sabático? Eu descobri o significado dessa expressão ainda nos tempos da faculdade e em meio àquela correria toda eu decidi interiormente que um dia eu iria fazer algo do gênero. Mas assim como o show do U2 que fui em 2011, era o tipo de coisa que eu imaginava que iria sim acontecer, mas daqui a muito tempo no futuro; no momento considerado ideal. No entanto, nessas últimas semanas analisando tudo o que aconteceu durante esse ano, percebi que o meu ano sabático foi justamente esse de 2012....

Não, gente! Eu não viajei o mundo e entrei em contato com outras culturas fascinantes; eu não tive aquele êxtase de perder de vista o horizonte do topo daqueles rochedos lá na Irlanda, sentindo o vento frio em meu rosto e me dando conta mais uma vez da minha pequenez e do quanto Deus é grande e generoso para com todos nós disponibilizando tamanhas maravilhas. Não, nada disso.

Eu também não consegui o lendário Emprego-Na-Área-De-Formação. Tampouco o emprego para fazer aquilo que sempre sonhei e que provavelmente mencionei em um dos primeiros posts do ano. Ã-ã. Nada foi como imaginado, e nem vou utilizar a expressão "nada saiu como o planejado", porque como boa ariana que sou (os que não vão com a cara de horóscopo estão rindo de mim agora), não gosto desse negócio de planejar demais. O negócio aqui é na impulsividade: se ideia pareceu boa e o momento propício, pronto (!),  é só disso que preciso.

Quem tem juízo já sabe que essa última frase meio que prediz como foi o ano e como será o resto do post, né? Haha. Pois é. 2012 foi um ano de provações. Eu procuro e procuro mais um pouco e não encontro outras palavras que definam tão bem como foi este ano, um ano de PROVAÇÕES. Já adianto que o lado bom de tudo isso é que onde há provação, há também aprendizado. E como aprendi.

Nesse ano tudo o que planejei deu errado. Tudo aquilo em que eu colocava fé deu errado. As coisas que começavam bem, que pareciam que iriam vingar, que renovavam as minhas esperanças de novo, davam errado no final. A coisa foi tanta que até com processo judicial eu mexi. O resultado dessas constantes derrotas foi um crescente gosto amargo na boca e o quase desaparecimento da minha Fé. Isso de longe foi a parte mais difícil de enfrentar.

Eu cheguei ao ponto de não querer mais sair de casa, de não querer ver ou conversar com ninguém conhecido. Eu faltava morrer de ódio quando todo mês, naquele único dia que eu era obrigada a sair de casa para ir ao banco eu SEMPRE topava com alguém conhecido. E esse alguém sempre queria saber das novidades, de como eu estava... e aquilo era como tocar com força numa ferida exposta, doía. Eu não cheguei a me consultar com alguém, mas acho que tive sim um início de depressão. Só que, por algum motivo Deus me deu pais maravilhosos e super atentos a esses detalhes, e foram eles que seguraram a onda, que me apoiaram e não deixaram que eu piorasse ainda mais o meu estado.

Houveram os amigos também. Sobre os amigos, no meu período negro eu me afastei de um monte deles e por isso já pedi perdão muitas vezes. Mas por outro lado, me aproximei de alguns outros, alguns outros que estavam na mesma sintonia que eu: para morrer! Foi bom porque fomos nos ajudando, um dando suporte ao outro e assim cada passo para cima de novo tinha um gosto especial, gosto de reencontro e horas e horas de conversa refletindo o que tinha virado nossas vidas e onde tudo isso iria dar.

Afastamento de uns, estreitamento de laços com outros... e mesmo pintando o ano de 2012 de feio e sofrido como pintei, ainda sobrou espaço para novas amizades e reencontros. Reencontros esses que foram fundamentais para que eu me reencontrasse e reavivasse minha fé.

O meu reencontro com Deus foi de uma forma inimaginável; de uma maneira tão explícita que eu tive medo, e que só um tempo depois de isso já ter ocorrido é que pude ver e entender o significado de muitas coisas e das muitas coisas pelas quais passei. Foi através desse reencontro que (re)descobri o Amor e a Misericórdia Divina, o fato de que nada nessa vida acontece por acaso e o quão importante é tentar fazer o melhor possível com o nosso agora. Vai soar repetitivo mas é verdade: nós perdemos muito tempo precioso em nossas vidas planejando e sonhando coisas para o nosso futuro. Depositamos toda nossa fé e esforço no que ainda está por vir (como se tivessemos todo o tempo do mundo) e esquecemos que o tesouro já está em nossas mãos, que ele se chama Hoje e que o que fazemos com ele agora refletirá o amanhã.

Não foi só isso que aprendi. Pela primeira vez na vida experimentei a entrega total (a Deus) e o quanto isso faz bem para a alma; percebi (na marra) que a paciência é mesmo necessária e que as vezes ela é o melhor caminho a se trilhar. Descobri que não tenho controle total de minha vida e que bom que é assim. Tomei nota também de que geralmente não sabemos o que pedir ou o que querer de nossas vidas. Que nem sempre aquilo que queremos é de fato aquilo que precisamos. Vi a quantidade de muralhas que construímos dentro de nós (com grande facilidade) e o quanto é difícil destruí-las sozinho. Percebi o quanto complicamos tudo, o quanto nos preocupamos em demasia, e o quanto dificultamos a entrada de Deus em nossa vida... Aprendi que ainda há muito a se aprender e que para isso basta abrir não só os olhos ou a mente, mas principalmente o coração.

No ano de 2012 não aconteceu tudo o que eu queria, mas aconteceu tudo o que era necessário acontecer comigo e com todos. Houveram alguns momentos felizes e outros não tão felizes assim, mas no final das contas o crescimento pessoal foi tão grande que não é preciso esforço para olhar para trás e concluir que cada instante valeu a pena.

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 Trechinho de uma das cartas que escrevi para Deus em 2012
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Cristo!!!!!
Muito obrigada.
Obrigada, e obrigada por tudo!
Quando eu disse na última carta: " Será que isso significa que é para eu ir ao G.O.? Para eu me despir completamente de meus medos, temores e terrores? Para eu me entregar de corpo e alma a tudo o que o Senhor tem guardado para mim e não consigo enxergar ou tenho medo de enxergar ou tenho medo do fardo, ou tenho medo de não dar conta, ou tenho medo de tanta Graça assim?", ao terminar de escrever, eu ouvi aquela vozinha que uns chamam de consciência, outros da TUA própria voz dizendo:
"__Sim! Isso não é óbvio?!"



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Afinal, "todo pokemón evolui"!

Gente, hoje eu reparei numa coisa: que bom que a gente cresce, né?
Que bom que todos nós estamos evoluindo a todo instante, aprendendo, amadurecendo, enfim.

De uns tempos para cá tenho percebido que uma série de coisas que antes me incomodavam hoje não o fazem mais. Que uma gama de complexos que antes me atingiam hoje não surtem mais o mesmo efeito.
É que chega um período que você se dá conta que algumas coisas podem sim ser mudadas, desenvolvidas, mas existem outras coisas que não vão mudar e por mais que não gostemos tanto de algumas delas, elas também contribuem e muito para ser o que e quem somos.

Eu lembro que na minha adolescência eu adorava a música do video abaixo. Tinha um trechinho que dizia assim:
 "Eu sou um risco pra mim mesma... (...) Eu sou o meu pior inimigo
      É pior quando você irrita a si mesmo (...) Não quero mais ser minha amiga
  Eu quero ser qualquer outra pessoa...."

Pessoal, eu ADORAVA isso. Achava isso a minha cara, tudo era motivo para reclamação, o meu peso não era legal, todos achavam que eu ia crescer mas fiquei baixinha, meu cabelo era minha sina, meu nariz não me permitirá nunca que eu use óculos sem que fique extremamente esquisito e por aí vai. Só que naquela época eu achava isso ruim, acreditava que tinha que ser mudado. E sabe como é um belo dia você acordar e perceber que você é baixa sim, que óculos não combinam mesmo com você, que seu cabelo é ruim pra %$#&*@ mas que bom que pelo menos você tem cabelo? E que por mais que eu ache meus quadris grandes demais isso não vai mudar em nada quem eu sou?




Pois é. É algo realmente libertador e fortalecedor. Isso nos torna imune a uma série de coisas. Situações que antes poderiam nos magoar profundamente, nos trazer desespero por causa da auto-cobrança de perfeição tomam para si proporções bem menores (graças a Deus), e isso contribui para que redirecionemos nossas energias para coisas que valham mais a pena.

É bom ou não é, sentir-se assim?


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