Puro, confuso e sincero

Minha mãe diz costuma dizer (principalmente em época de catástrofes naturais) que o homem se esquece o quão pequeno é, o quão impotente é diante da grandeza de Deus. E ela não está errada quanto a isso, acho, porque na maior parte do tempo o homem é apenas egoísta (como eu no post anterior), ganancioso e hipócrita. 

Tenho uma tendência a me fechar diante das desgraças que acontecem por aí, entre outros motivos porque isso me faz sofrer, me faz sentir mal justamente por toda a impotência que me cabe. É duro assistir a uma série de coisas erradas acontecendo e no fim apenas concluir que não se pode fazer muito ou praticamente nada.  E nem estou falando do Japão exatamente.

Está claro que daqui não podemos dimensionar de fato o tamanho da tragédia lá e  o tamanho do caos (mesmo que todos se mostrem resignados com a situação). Está nítido também que se aquilo tivesse acontecido aqui tudo seria muito pior por conta de nossa desorganização nata, pela falta de estrutura, pela falta de planejamento e por aí vai... 

Somente hoje é que assisti aquele filme, Tropa de Elite 2. Não vi o primeiro, e também não tenho cultura de filme nacional, até hoje o único que havia gostado foi O Auto da Compadecida. E assim como "O Auto" sempre me faz pensar, o Tropa também o fez. Sabe quando você vê um filme ou lê um livro e a chave do pensamento não desliga, horas e horas depois você ainda está a refletir sobre aquilo? Pois é.

Acho que já comentei aqui o quanto fiquei satisfeita no fim do ano passado quando invadiram o morro do Alemão lá no Rio, que implantaram aquela polícia pacificadora e tudo o mais. A sensação naquele período foi ótima, foi a conclusão de que quando se quer fazer algo, se faz; não há impedimentos. No entanto nunca é tão simples, não é? Por que será que sempre haverá o lado podre na história? Por que sempre haverá o policial corrupto ou mesmo os políticos? Por que será que sempre mesmo correndo o risco de "catástrofes catastróficas", os países continuarão a construir não apenas usinas nucleares, mas também hidrelétricas que acabam com o meio ambiente e seu equilíbrio natural? Por que será que mesmo estando sob morros desmoronando as pessoas insistirão em permanecer em suas casas e esses morros seguirão seu caminho de cair sobre as casas e matar todos seus habitantes? Por que será que sempre haverá pessoas como Kadhafi, Hitler e Mussolini?

Dinheiro? Poder?A pergunta é: justifica? Será que vale mesmo a pena? Quando eu falei das pessoas que permanecem em suas casas com o morro caindo logo atrás... Isso acontece porque elas não têm para onde ir. E por que não tem? Cadê o poder público numa hora dessas para apoiar essas pessoas? A matemática é simples, vejam o espaço dado para aquele casal e o filhinho que faleceram na região serrana do Rio no início deste ano; a TV mostrou até um pedacinho do velório. Mas e quantas outras pessoas não morreram ali? Quantas outras famílias não passaram pela mesma dor e ficou por isso mesmo? E o Tim Lopes? Virou aquele bafafá danado porque ele era jornalista da Globo. E quanto às outras pessoas que são vítimas desse tipo de crime, cidadãos comuns que tem direito a um fim digno tanto quanto ele, mas que não aparecem nem numa notinha do jornal?

Não é revoltante uma situação dessas? Acho que se focasse o pensamento nisso o tempo todo já teria desistido de viver. Numa visão otimista de tudo isso, alguns podem dizer que pensar assim faz alguma diferença; não se curvar ao que é ilícito é um bom começo e que de grão em grão "a galinha enche o papo". Mas será mesmo? Digo, um pouco de bem que fazemos vem um infeliz e desfaz. Será que não há mesmo jeito para essa humanidade? Quer dizer, a mudança parece algo tão simples - se todos decidissem vestir essa camisa. 

Ontem ouvi uma canção linda, do Padre Fábio de Melo, que resume (em minha opinião) o que deveríamos realmente fazer de nossas vidas. É o que estou tentando fazer, é o que acho que todos deveriam fazer, mas claro: nunca será tão simples.

A letra diz:

Sê inteiro em cada parte, em cada fragmento
Da vida que hoje está ao teu redor
Breve, leve, certo se despede este instante
Pra nunca mais pousar em tuas mãos
Tempo foge, escorrendo nos dias que vão
Vai seguindo os trilhos da luz
Não permitas que a vida termine sem que
Extraias dela todo sabor

Deixa que a aventura de ser gente te evolva
Prepara o que serás no que és
Não prenda os teus olhos nos olhares que te acusam
Esquece a voz que te condenou
 (...)
Nunca te aprisiones nos teus medos e receios
Nem sê refém de quem não sabe amar
Não, não te condenes a morrer com teus defeitos
Nem use a expressão não vou mudar
Pois a cada instante é possível crescer
Retirando excessos do ser
Aprimora o teu jeito de ver e de ouvir
E do amor tão perto estarás

Eis que trago noticias do céu
Deus resolveu te fazer vencedor
Ergue os olhos, destranca tua voz
Vem receber novas vestes de luz

      

Tenho feito um exercício interessante ultimamente. Não sei como funciona na sua região a questão de mão e contramão, mas aqui as ruas são alternadas, uma vai e outra vem, ou seja, uma mão e outra contramão. E esses dias a caminho do trabalho tenho trilhado um caminho diferente durante as caminhadas, determinada rua tenho ido pela contramão. É a mesma rua que na volta ando "na mão".  O interessante da experiência é que por mais que seja a mesma rua, mesmas casas e árvores, caminhar por ela no sentido contrário do convencional oferece uma visão totalmente diferente. O que é comum torna-se irreconhecível. O que aprendi com isso é que tudo tem dois lados. Ok, essa é uma constatação óbvia, mas faça um teste do gênero qualquer hora dessas e entenderão o que quero dizer; é espantoso como a maior parte do tempo acreditamos que sabemos de algo, ou que conhecemos bem alguma coisa, mas a uma simples mudança de ângulos nos vemos diante de algo novo novamente.

E para encerrar e mudando completamente de assunto, essa semana recebi um selo muito fofo da Patrícia do Meu infinito particular (Obrigada!!) 



e outro super curioso do Helio Tadeu, desenhadinho.blogspot.com, que achou meu blog a princípio "super feminino". Achei uma fofura já que ninguém havia dito isso. Mas depois ele voltou e me deu outro que se enquadrava melhor, rsrs: "Esse blog faz pensar!". Adorei.


2 comentários:

  1. Oi Viii...
    Essa coisa de se sentir impotente ante as desgraças alheias não é seu privilégio apenas. Tem hora que me sinto tão desconcertado com certas coisas que me emociono. Às vezes nem quero ver os noticiários por que sei que as redes de TV exploram o lado emotivo e sansacionalista das coisas. E faço isso. Desligo a TV. Não por ser insensível; mas não gostar de ver as pessoas sofrendo e não poder fazer nada.
    Quando a sair e andar na contramão posso te dizer que sempre faço isso. Não tenho lado certo para andar. Apenas ando. E gosto de observar os detalhes dos caminhos que percorro.
    Um beijo e uma grande semana! E você estar lá naquele gadget em meu blog é o resultado das coisas boas que me disse e que me incentivaram a continuar escrevendo mesmo num período muito difícil da minha vida.

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