A primeira paixão


E eis que havia uma carinha nova na sala de aula. Era aluno novato, mas apesar de tudo fez amizades logo e conquistou o coração das meninas da sala. Não sei dizer se era bonito, mas possuía aquele ar de novidade, aquele ar que costuma encantar apenas por isso.
E apensar da precocidade a paixão crescia. Era inconcebível a idéia de dividir aquele sentimento com alguém, afinal meninas de sete anos não devem sentir isso, e no mais, a melhor amiga estava claramente interessada no rapazinho. E assim foi por um tempo, via as coisas acontecerem, o tempo passar e o segredo intacto, pois não podia confiar em ninguém.
Mas um dia algo deu errado. A amiginha descobriu e como se não bastasse espalhar a novidade para todas as coleguinhas, como castigo maior, ela tinha que contar para o mocinho. Ahh, quanta vergonha ela sentiu naquele momento. Tanta, tanta, que só o banheiro para socorrê-la naquele momento. Só o banheiro lhe daria privacidade e o tempo que quisesse para ficar ali, apenas a chorar.
Mas ela não podia ficar lá pra sempre. A vida continuava e era preciso encarar as pessoas novamente, por mais que lhe doesse, por mais que se sentisse envergonhada e traída. Dias depois sua ‘melhor amiga’ começou a namorar o mocinho – aquele namoro dos sete anos, ou seja, ficar de mãos dadas!
E ela assistiu àquilo. E entendeu que não podia fazer nada, a não ser, no seu papel de melhor e fiel amiga torcer pela felicidade do casal. Afinal, pensava ela, certas coisas não lhe cabiam, algumas coisas ela não merecia, não era digna ou algo assim. Aceitou pacificamente, parvamente e essa foi a história de sua primeira paixão, uma história que ela jamais se imaginou contando a ninguém!!!
***
 Engraçado... Esses dias eu estava me lembrando desse momento em minha vida, precoce como tudo o mais. Hoje é fácil rir de tudo; é simples dizer: “era apenas uma criança”, mas algumas vezes me pego pensando se isso não influenciou a maneira como trato as questões do coração depois de adulta.
Agora que essa história não passa de mais uma página de minha vida, fico a pensar em quantas outras historinhas vivemos e no momento ficamos apavorados, imaginando que tal situação nunca irá passar. É interessante, que por mais indesejável que sejam momentos assim, sempre saímos com alguma lição.
Eu contei uma história. E você, por que tipos de situações (embaraçosas) já passou e quais lições tirou de tudo isso?

8 comentários:

  1. Caraca... Mto fera o post, fia! Fiquei até triste pela "personagem" da parada... Ainda mais pq eu (e acho que quase todo mundo) passei por situações parecidas, hehe.

    Bom, passei por mais coisas assim quando já era adulto do que quando era criança :P.

    É interessantíssimo ver esse seu post agora, pq eu andava esses dias/semanas JUSTAMENTE matutando sobre essa parada toda de "como as suas experiências anteriores te definem" (vide http://www.gengibre.com.br/cast/V1DGBGBP0 e penúltimo post no blog "Ao Fi livre").

    Eu inclusive acho que relacionamento é mto parecido com emprego. Se vc teve uma experiência ruim anteriormente, fica mais difícil se abrir para a próxima (foi o que eu falei no post no Gengibre, dps ouve lá!).

    Eu acho que as marcas que carregamos nos definem muito, às vezes para melhor, às vezes para pior, e, mais frequentemente, para os dois ao mesmo tempo! (vide último post no blog :P)

    Bjos!

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  2. Viii, primeiras paixões são assim... que amiga em?! É bom saber que algo que nos fez sofrer, um dia nos faz rir , nê?! pena que agente nunca enxerga isso no momento!
    COmo assim último post???? =0

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  3. Outro dia vi um video super fofo, uma reporter perguntava a um menininho se tinha namorada, ele disse que não, mas tinha um amor secreto. A surpresa dele foi quando apareceu a menininha e ao responder a mm pergunta à reporter disse que ele era o amor dela! Uauuu ele ficou super feliz!

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  4. Oi Viii...
    Ainda vou t perguntar por que desses "iii" em sequência. rsrrsr Será que é assim que você vê escrito o som que sai da boca das pessoas quando elas te chamam? Viii.... Vem aquiii! rsrsrsrs

    Quanto ao teu texto, ( ótimo diga-se de passagem ) a sensação que tive foi a de voltar aos tempos do primário. Lembrei dos tempos da primeira, da segunda, da terceira e todas as séries que se sucederam, em que eu olhava para algumas gurias com aquele olhar bobo, que é o lado de fora dos primeiros sentimentos românticos.

    Também fiquei aqui pensando no solitário e providencial banheiro, que na infância e até na vida adulta, as vezes é o único reduto para reaprumar as emoções, e voltar a cena com mais compostura. Já aconteceu comigo e com todo mundo. Ah! se as paredes, portas e louças do banheiro tivessem ouvidos e memória! Agora diriam tantas coisas que até nós já esqueemos.

    E sobre as situações embaraçosas, são tantas que nem sei qual devo citar. Mas só para tirar uma febre, uma vez a irmã de um amigo, me procurou junto com a mãe dela, e me pediram em namoro. Tu acreditas? Eu tinha uns 18 anos. E a guria que eu nunca tinha olhado por esse ângulo, uns 16. Eu não sabia onde enfiar a minha cara. Mas ainda bem que fui firme. E disse na hora que não queria. Que estava em outra. Na verdade eu nem estava em outra. Foi só um estratagema. rsrsrsrsrs


    Teve também aquela vez.... ah! deixa para lá. Eu disse que só ia escrever uma!!! Obrigado por suas visitas e comentários. Gosto daqui.

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  5. Somos feitos de nossas histórias,e das marcas que elas nos deixam.
    Bom é saber tirar proveito delas para nosso amadurecimento e tranquilidade.
    Beijo menina linda e precoce.

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  6. Ai, tbm tive meu primeiro amor aos sete anos rsrs.
    Foi tão lindo, tão perfeito rrsAté o dia q o namoro terminou por nada rsrs.
    Amei, deu saudades de tudo tbm.

    Amiga, sobre meu filhote, eu escrevo nesse blog aqui, me acompanhe se puder, beijos

    http://viagem-de-mae.blogspot.com

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  7. Essa é realmente uma história leve e deliciosa!
    Li agora de novo!

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  8. é incrível mesmo como a gente superestima certas coisas. Não que elas não marquem... mas nem sempre representam tudo aquilo que imaginávamos.

    bjos

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