Transformando Grilos em Palavras

É chato conversar com uma pessoa e saber que ela fala com você pensando: ‘é inteligente, mas não sabe nada da vida...’. Bem, na realidade eu não tenho como saber se elas pensam isso ou não, mas o fato é que é assim que eu me sinto. Talvez eu devesse ter saído mais ao sol e deixado os livros na estante apenas pegando poeira.

Hoje eu vejo o quão complexo é lidar com o ser humano e tenho tido o tempo roubado pensando a respeito desse assunto. Não sei se isso está diretamente ligado ao fato de ser ariana, ou a esse meu perfeccionismo nato. Mas desde pequena sempre fui competente em tudo o que me dispunha à fazer; aos oito anos diziam que eu seria arquiteta, aos dez estilista, aos doze cantora, aos quatorze escritora, com dezesseis, me tornei professora!

Até hoje as pessoas levam um susto quando vêem a estudante de ciência da computação dizer que é professora de música, assim como meus alunos, quando descobrem essa peculiaridade em minha vida. Estou tentando me entender, buscar o meu lugar neste mundo, apesar da extrema dificuldade que tenho em me adaptar a ele. Neste lugar onde os valores foram invertidos é difícil não se sentir uma aberração, um peixe fora d’água, ou borboleta num aquário. Não que eu vá pender para os errôneos caminhos que estão por aí, mas eu tento preservar a visão romântica do mundo, porém todos me desanimam nessa empreitada. O que querem então de mim? Se tento o que acho certo, me jogam um balde de água fria e não apontam uma solução plausível.

A maior parte do tempo me sinto velha. Quando eu era criança, pensava na adolescência, quando cheguei na adolescência, pensava na vida adulta. E hoje, no auge dos meus vinte anos, eu penso na velhice, se terei netinhos e em como será a minha morte. Ao mesmo tempo que coisas grandiosas passam pela minha cabeça, sinto também falta das coisas simples. Quando estou deprimida, fico a pensar em como é necessário tão pouco para ser feliz. Fico a pensar em como a sociedade, a mídia nos consome, nos torna escravos, fazendo-nos correr atrás de algo inalcançável, (pelo menos dessa forma).

Livros e mais livros dissertam à respeito da felicidade, como se ela estivesse num potinho escondido por aí, dissertam como se fossem um mapa de tesouro, dez passos para a direita, e então encontrarás um grande X no chão..
Por que não podemos encarar a vida como Drummond?

“(...)ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar.
Enfeite-se com margaridas e ternuras, e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada, e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo da janela.
Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteira: (...) Enlou-cresça.”

Lindo, não é?
Um tempo desses eu cheguei à interessante conclusão que não há como não pensar que a vida adulta mata os nossos sonhos...... Durante a juventude, enquanto não temos uma torrente de responsabilidades assistimos a bons filmes, lemos bons livros e interessantes biografias. Chegamos mesmo a acreditar que podemos mudar o mundo, mas então, somos obrigados a estudar para ingressar numa universidade, depois trabalhar para alcançar o sustento, temos que ser bons todo o tempo por causa da concorrência, enfim. Toda essa gama de responsabilidades vai nos consumindo e aos poucos deixamos de lado aquilo que nos agrada, que nos faz feliz.
A Felicidade é algo constante? Um tesouro que depois de encontrado, se terá para sempre?
Não.
Felicidade são momentos fugazes.
E sabe de uma coisa?
Eu fico feliz por ser assim!

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