O direito de sentir-se chateado

Viver é complicado, viu? Assim como criar filhos e todo o resto, não existe manual de instrução, a gente tenta, tenta - tanto acertar quanto aprender -, muitas vezes se estrepa no meio do caminho, e quando acha que as coisas vão melhorar de vez, acontece algo para acabar com sua festa.

Eu sou daquelas que corre atrás de algo quando possui algum objetivo, e daquelas também que se sente imensamente frustrada quando o que eu queria e trabalhei para alcançar não se concretiza. Um dia desses, assistindo o Senhor dos Anéis pela 123456789...² e depois aproveitando a tarde de domingo para ver o making-off do filme, fiquei sabendo que antes de começar a ser filmado, o filme foi recusado por várias produtoras, sendo que a New Line Cinema era a última opção de Peter Jackson. 

Ele (Peter) chegou lá sem pretensões e teve um grande susto (agradável susto) quando ao sugerir condensar a trilogia de livros em dois filmes o diretor, dono, sei lá, pensativo disse: "São três livros, então faça três filmes!" - ou algo do gênero. Aquele momento foi de êxtase, algo que saiu melhor do que esperado. Hoje, olhando para trás é uma linda história, mas é decepcionante, quando se recebe um não - e veja que eles receberam vários antes de um sim....

E o que me tem acontecido ultimamente é isso... Tenho levado alguns "nãos", e é tão ruim. Eu tenho plena confiança em Deus (pelo menos quero acreditar que sim) e sei que quando uma coisa não dá certo de primeira como queremos é porque ainda não é a hora certa, ou Ele tem algo de muito melhor reservado para nós, mas mesmo sabendo disso é impossível  não ser afetada pelo maldoso Não.

E pensando por esse lado, acabo observando outro também: essa coisa toda de realizar sonhos, anseios, é tudo muito lindo, mas em alguns casos pode se tornar doentio, então, quando é hora de parar? A exemplo daqueles garotinhos que sonham em serem jogadores de futebol: é óbvio que muitos deles são bons e seriam revelações que fariam o povo brasileiro se orgulhar, mas e aí? 20 anos, nada ainda, o garoto sem estudo, sem qualquer qualificação profissional e a única coisa que sabe fazer "mais ou menos" é correr atrás de uma bola. Então eis a questão: quando é hora de aterrisar e encarar  a verdade? De que você é apenas mais um e que talvez a sua trajetória não seja exatamente a de um Ronaldinho Gaúcho?

Sonhos, futebol, frustrações... Acho que só uma criatura como eu para fazer esse tipo de ligações. Mas enfim, a questão é essa, tenho meus sonhos, e as vezes no caminho para realizá-los me deparo com vários contratempos e "nãos",  e por mais que parte de mim diga "siga em frente", sempre haverá aquela outra que pergunta: " já não é hora de desistir?"

Complicado, não? No momento apenas me concedo o direito de sentir-me chateada. Vamos ver o que o Amanhã tem para mim. Sei que não é fácil, para ninguém, nem para você. Mas agora é a sua vez, como você reage quando isso acontece? Até onde vai a sua persistência, e como é quando você finalmente desiste de lutar?

Bom feriado a todos ;)

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