O Grande Irmão e a política do Pão e Circo

Embora o livro '1984' ainda não tenha caído em minhas mãos, já ouvi falar de sua histórinha, e do trocadilho feito pelos criadores do - em minha opinião - maior programa do 'gênero' Pão e Circo do Brasil. Claro que estou falando do Big Brother Brasil, e de todos os outros programas do gênero, se a carapuça servir - e arrisco a dizer que serve.

É lastimável, a cada outubro ou agosto que chega, vê-los trazendo consigo aqueles comerciais anunciando que as inscrições estão abertas para mais uma leva de babaquice a ser exibida. E o mais chato da história, é que centenas de pessoas se inscrevem. Pessoas que contam as horas para a exibição de mais uma edição do programa. Elas adoram, se deliciam e ainda acham o máximo aparecer naquelas tomadas da Rede Globo e dizer quem é o preferido na Casa.

Que vida real há aí? As pessoas que estão lá não entram por acaso,  a maioria faz o tipo símbolo sexual, apenas como mais uma distração para as pessoas que não tem nada melhor para fazer depois que acaba a novela das 9. É bizarro como a sociedade se apóia nisso e acompanha vidrada a tudo o que acontece, como não têm consciência da inutilidade pública que consiste um programa assim ou se têm, não considera importante.

Só para efeito de levantamento de dados, enquanto escrevia esse texto fiz uma pesquisa no Orkut e verifiquei que a comunidade 'Big Brother Brasil 10' já conta com 1.117.740 (um milhão cento e dezessete mil setecentos e quarenta) participantes, ou seja, mais de um milhão de pessoas empenhadas em discutir as idiotices exibidas no programa. Eu tenho meu ladinho psicóloga de analisar o comportamento humano, mas assistir BBB, ou A fazenda já é demais para minha pessoa.

E provavelmente os dignos de estudo não são aqueles que estão dentro da(s) casa(s), mas os que estão fora. É terrível perceber que os grandes veículos de informação nacional têm como objetivo maior transformar essa nação num povo desprovido de raciocínio e/ou inteligência. Outra maneira de evidenciar isso é que os programas mais interessantes transmitidos em TV aberta são exibidos muito tarde. De outra maneira, para se ter acesso a entretenimento de qualidade e em horários convencionais, apenas pagando por isso. 

Nessas horas é perceptível como a História se repete! Como teoricamente evoluímos, mas no fim das contas o lado negro do ser humano - aquele dos que têm sede de dominar as massas - sempre está em algum canto apenas esperando uma oportunidade para se mostrar. Aconteceu há centenas de anos atrás na Roma antiga, aconteceu, de acordo com meu ponto de vista na Idade Média com a caça às bruxas, e acontece hoje através dos programas de TV, rádio e até mesmo através da Internet.

Infelizmente quadros assim não mudam de uma hora para outra, e a solução provavelmente viria pelas mãos da educação. Mas a educação aqui, assim como a programação dos meios de comunicação anda precária e tende a piorar ainda mais. O que fazer para nos salvar desse fenômeno tão desagradável? Como proteger a sociedade que hoje engatinha, mas que comandarão o amanhã?

4 comentários:

  1. Vi, eu nem sabia que já era o número 10 desse programa, hahahaha, só assisti ao primeiro, pra ver como era, e nunca mais. É uma palhaçada sem tamanho, o culto bizarro ao corpo, a quem é bonito, enfim. Os feios são descartados logo. E depois é o show de moça pelada na Playboy...
    Qdo isso vai acabar? Sabe Deus. É tudo isso que vc argumentou, enqto esse povo gostar do circo, voilà!!!

    Muito boa a sua ideia do post.
    Beijos

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  2. Verdade, Luciana. Eu também só assisti o primeiro, mas sabia que era a edição número dez porque agora eles acompanham os anos - versão 10 no ano de 2010, assim por diante.. Mas é uma tristeza tudo isso. Hoje eu descobri um outro que está sendo exibido no SBT, 'Solitários', o nome já dá pra tirarmos uma base do que se trata. Me intriga como há pessoas que se prestam à esse tipo de papel.. Mas é cultural, não é? Fazer-se o que?

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  3. Vi, se te serve de consolo, acho pouco provável que a insônia ou a regularidade do seu sono entre nos eixos depois da faculdade. Foi bem lá que aprendi a botar o sono a perder, hahahaha...
    Vai ser difícil, mas a esperança é a ultima que morre, rsrsrs.
    Beijos e bom final de semana, linda.

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  4. Pois é... também não suporto este programa.
    Como conseguiram pegar um livro que tem uma ideologia tão profunda (1984) e conseguiram transformar em um programa tão leviano? De comum só há o nome do "Grande Irmão" e o fato das pessoas serem observadas constantemente. E só!
    Bjs

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